Foi numa entrevista, esta segunda-feira, na TVI24, que Carlos Moedas, o candidato da coligação Novos Tempos à Câmara de Lisboa, acusou Fernando Medina de mentir constantemente. 

Em causa, estavam as várias polémicas em que o atual presidente da câmara da capital esteve envolvido, como o envio de dados de manifestantes para a Rússia ou o festejos do Sporting.

Fernando Medina mente constantemente em muitos temas que são claros", disse.

 

Eu assumo os meus erros, Fernando Medina não assume os seus e isso é uma grande diferença entre o político Carlos Moedas e o político Fernando Medina", reforçou. 

Moedas desvaloriza derrota nas sondagens e coloca esperança nos indecisos

As sondagens relativas à corrida autárquica à Câmara de Lisboa não têm sido particularmente animadoras para o candidato que junta PSD, CDS/PP, Partido Popular Monárquico (PPM), Aliança e Partido da Terra (MPT). 

Questionado sobre como tem encarado estes números, Carlos Moedas desvalorizou e colocou esperança na percentagem de indecisos.

Eu acho que a verdadeira campanha não é nas televisões. (...) São realmente as pessoas que se levantam de manhã e que não conseguem chegar ao fim do mês, aqueles mais velhos que não têm uma consulta porque o SNS não chega, aqueles que estão desesperados com um sistema que é pouco transparente e uma câmara muito pouco transparente. São eles que me movem. Podemos falar das sondagens e das diferenças nas sondagens, mas há uma coisas que elas dizem que é clara: é que há muitos indecisos, há muitas pessoas que não sabem ainda", afirmou. 

O candidato autárquico disse ainda que tem como objetivo "mudar Lisboa" e mudar "a maneira de fazer política em Lisboa". Talvez por isso, já no final da entrevista, tenha dito: "o meu voto é de indecisos que vêm de muitos partidos, de pessoas que estão cansadas". 

Questionado o que achou do frente a frente com Fernando Medina, na TVI24, uma vez que muitos comentadores e analistas políticos consideraram que Moedas perdeu, o candidato da direita alegou que é "um político diferente".

Ou seja, há políticos que estão nisto para o debate baixo, para a interrupção constante, para não deixar o outro explicar as suas ideias e esses são os políticos como Fernando Medina e esses são os políticos que os comentadores preferem", disse. 

Habitação e transportes públicos

Na ótica de Carlos Moedas, no que toca à habitação em Lisboa, existem várias coisas que é preciso resolver: despedir a administração da GEBALIS, entidade pública que gere os bairros municipais; melhorar o programa de renda acessível; travar a especulação imobiliária, com mais oferta e regras claras; e ainda a isenção do IMT para os mais jovens. 

Admitiu que "não há uma solução única para a habitação", mas que esta não poder ser pública.

Temos de ajudar a sociedade por inteiro."

Questionado sobre a criação de um teto para as rendas das casas, o candidato foi claro: "não faz sentido, porque já foi testado em várias cidades europeias e nunca funcionou.

Relativamente à questão dos transportes públicos, Moedas disse que "existem 50 mil pessoas em Lisboa que não têm acesso direto ao metro" e que este é "um transporte que não funciona". Deixou ainda críticas à Carris, nomeadamente ao tempo de espera dos autocarros. 

Para as pessoas andarem mais de transportes, temos de ter os transportes gratuitos até aos 23 anos e acima dos 65 anos, e temos de ter parques dissuasores para que as pessoas não entrem com os carros na cidade", defendeu. 

O candidato autárquico defendeu ainda que uma parte do dinheiro do Plano de Resolução e Resiliência (PRR) deveria ser utilizado para melhorar os transportes público, dizendo que: "O PRR não é do PS e dos portugueses".

Cláudia Évora