O secretariado da secção de Barcelos do PS denunciou esta terça-feira a alegada falsificação de centenas de fichas para inscrição de novos militantes no partido, num «esquema» para «destruir politicamente» o líder da concelhia socialista e o presidente da câmara.

Segundo Eusébio Silva, coordenador daquela secção, o «esquema» para aliciamento de novos militantes passava também pela oferta, ao angariador, de um iPhone por cada 25 fichas devidamente preenchidas e de um computador portátil por cada 100, noticia a agência Lusa.

O mesmo responsável acrescentou que a coordenação do «esquema» esteve a cargo de João Albuquerque, que foi chefe de gabinete do actual presidente da Câmara (Miguel Costa Gomes, independente eleito pelo PS), mas que entretanto acabaria por ser destituído.

Contactado pela agência Lusa, João Albuquerque desmentiu «categoricamente as graves acusações» que lhe são imputadas e acrescentou que, face ao «teor falso e criminoso» das mesmas, vai mover uma acção judicial contra os seus autores.

«Face às referências que envolvem pretensos objectivos meus sobre o futuro do presidente da câmara, Miguel Costa Gomes, julgo ser facilmente compreensível o ridículo de tais considerações insultuosas, dado todo o trabalho, empenho e lealdade por mim demonstrados desde o dia em que nos conhecemos até à data, e já lá vão mais de 20 anos, numa proximidade e amizade ímpar por toda a gente conhecida», acrescentou.

João Albuquerque diz ainda que esta é uma tentativa de limitar a sua «intervenção cívica» e «o exercício contínuo de cidadania» e de tentar condicionar a sua independência, «que todos conhecem e está provada».

De acordo com o secretariado da secção do PS, foram constituídos 30 grupos de pessoas que em menos de 20 dias angariaram um total de 620 fichas de candidatos a militantes do PS.

«A maioria dos dados contidos nas fichas são falsos, como são falsas as suas assinaturas», sublinha Eusébio Silva, garantindo que «não houve a inscrição livre de novos militantes».

Acrescenta que «todas estas circunstâncias, nomeadamente o facto de não ser militante do PS, evidenciam o carácter altamente destrutivo do projeto do senhor Albuquerque, que não se inibiu de constituir um grupo de tipo mafioso para alcançar os seus objectivos».

Objectivos que, diz ainda, além da «destruição política» do presidente da concelhia e vice-presidente da câmara, Domingos Pereira, e do presidente da câmara de Barcelos, passariam também pela «destruição» do projecto autárquico do PS, que venceu as eleições de 2009.

Eusébio Silva desafiou ainda João Albuquerque a revelar «quem surgiria da sombra para liderar os novos militantes» do PS.

Por tudo isto, o secretariado da secção de Barcelos do PS solicitou à Direcção Nacional do partido para fazer o caso chegar ao Ministério Público.

Solicitou igualmente a instauração de um procedimento disciplinar aos dois membros daquela secção que foram os proponentes das candidaturas alegadamente falsificadas.

Contactado pela agência Lusa, um dos proponentes, Alfredo Cardoso, disse que o fez no pressuposto de que estava tudo «dentro da lei» e garantiu que será o primeiro a «exigir responsabilidades» a quem lhe apresentou as fichas alegadamente falsificadas.

«Foi um grupo de pessoas, umas militantes do PS, outras não», referiu, escusando-se a revelar nomes.
Redação / ACS