Catarina Martins defendeu, neste sábado, que o Bloco de Esquerda é o partido com mais “capacidade de promover” as diferenças de opinião, graças aos “estatutos mais democráticos e mais abertos”, salientando que as convenções são “debates políticos a sério”.

O Bloco de Esquerda é, seguramente, um dos partidos com os estatutos mais democráticos, mais abertos, e orgulhamo-nos disso”, afirmou a coordenador do BE à chegada ao Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos (distrito do Porto), onde decorre entre hoje e domingo a XII Convenção Nacional do partido.

Confrontada com as críticas das moções à falta de debate interno, a líder defendeu igualmente que “no panorama europeu e no panorama português não haverá um partido com tanta capacidade de promover o debate e as diferenças de opinião”.

Se pudemos melhorar? Seguramente, e em todas as convenções esse é um tema”, acrescentou.

A coordenadora vincou ainda que “no Bloco de Esquerda nunca há unanimismos, e as convenções são mesmo debates políticos a sério”.

Nós orgulhamo-nos muito disso, orgulhamo-nos muito de ter um partido em que todos os militantes têm a liberdade para apresentar moções, em que é promovida a diversidade das ideias porque sim, as convenções são momentos definidores da política e para eles é importante que toda a gente debata”, prosseguiu.

Catarina Martins considerou ainda “muito bom” terem sido apresentadas cinco moções de orientação política que serão discutidas e votadas nesta reunião magna, antecipando que “esse debate será muito importante com certeza”.

Louçã diz detestar “partidos com maiorias norte-coreanas"

O fundador e antigo coordenador do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, considerou hoje “naturalíssimo” a existência de debates e opiniões diferentes dentro de um partido, dizendo “detestar partidos com maiorias norte-coreanas”.

“A convenção é um debate interno, acho ótimo que haja debate, que seja assim, detesto partidos com maiorias norte-coreanas e que festejam o facto de ter um dirigente eleito por 99%. Coitados, não há ninguém que pensa naqueles partidos, não há duas opiniões diferentes”, afirmou o bloquista à entrada para a Convenção Nacional do BE.

Por esse motivo, Louçã acha “naturalíssimo” a existência de opiniões diferentes e de debates internos.

Também Pedro Filipe Soares saudou a “democracia dentro dos partidos”, porque significa que “a mesma está viva”.

Dizendo sendo “salutar”, o bloquista entendeu que a existência de divergências não põe em causa o “esqueleto” do caminho traçado pelo BE e a capacidade de implementar uma linha política.

Já sobre um possível acordo com o PS, Pedro Filipe Soares confessou que o partido ainda não foi chamado para nenhuma reunião com o Governo.

“O PS tem de, em primeiro lugar, querer negociar um orçamento à esquerda e, havendo essa disponibilidade, o BE nunca faltará a soluções à esquerda”, sublinhou.

Já a deputada bloquista Mariana Mortágua assumiu “haver muito tempo” para conversar com o Governo sobre um eventual acordo, lembrando que o Governo sabe quais são as prioridades do partido.

“As negociações com o PS não são um objetivo em si mesmo, o objetivo do BE é mudar o regime laboral, responder à crise e ter apoios sociais”, afirmou.

Os trabalhos da XII reunião magna bloquista

Sob o lema “Justiça na resposta à crise”, os trabalhos da XII Convenção Nacional do BE arrancaram às 10:43, com metade dos delegados eleitos devido à pandemia.

O início dos trabalhos foi marcado pela votação do regimento da XII Convenção Nacional, que foi aprovado com 'braço no ar', depois de um pedido para que os delegados “tomem conta” das suas cadeiras.

Foi também eleita a Mesa da Convenção, que será copresidida pelo eurodeputado José Gusmão e pela deputada Joana Mortágua.

Depois da apresentação e votação do relatório da Comissão Organizadora da Convenção, seguir-se-á a intervenção da coordenadora do BE, Catarina Martins, que marca a abertura da reunião magna dos bloquistas.

Catarina Martins chegou pouco depois das 10:00 ao Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos para uma reunião magna que já tinha sido adiada devido à covid-19 e que agora decorre em diferentes moldes e com várias restrições sanitárias, desde logo a redução para metade dos delegados – são apenas 343 -, estando prevista a sua transmissão online.

No pavilhão, para além dos corredores de circulação próprios, indicados com setas, não há mesas como habitualmente e apenas cadeiras para delegados – que tiveram de medir à temperatura à entrada -, estando o local de cada cadeira devidamente assinalado com quatro quadrados verdes no chão que definem onde têm de ficar os quatro pés de cada uma das cadeiras.

Em debate estarão cinco moções de orientação política, tendo a eleição de delegados acontecido no passado fim de semana, com a moção A (da atual liderança) a conseguir 233, a moção E (promovida pelos críticos do movimento Convergência) 66, a moção Q nove delegados, a moção C oito lugares, enquanto a moção N ficou com cinco delegados.

As diferentes plataformas locais elegeram, no seu conjunto, os restantes 22 delegados.

/ CM