A coordenadora do BE voltoua lamentar, esta segunda-feira, que o PS tenha “mudado de opinião” quanto às taxas moderadoras e manifestou-se disponível para “todas as convergências que puxem pelo futuro do país”, sem nunca responder a Carlos César.

Durante uma visita à estação de metro do Marquês de Pombal, em Lisboa, Catarina Martins foi questionada por várias vezes sobre as declarações do líder parlamentar do PS, que invocou esta segunda-feira o sentido de "responsabilidade financeira" e a rejeição de "aventureirismos", para defender o faseamento do fim das taxas moderadoras e afirmou que o Bloco de Esquerda “não manda na Assembleia da República, nem manda no país”.

O PS tem todo o direito de mudar de opinião e limitar o avanço do fim das taxas moderadoras, mas é de facto pena que mude de opinião, porque o prejuízo não é do Bloco de Esquerda, é dos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que veem demorar mais essa conquista importante”, afirmou Catarina Martins.

Perante a insistência dos jornalistas sobre a crítica política de Carlos César, a coordenadora do Bloco voltou a centrar-se na proposta feita pelo partido de fim das taxas moderadoras nos centros de saúde e em consultas ou exames prescritos por profissionais do SNS - aprovado na generalidade apenas com votos contra do CDS-PP - e na qual diz que irá insistir na discussão na especialidade.

O BE fez uma proposta e quer que essa proposta seja lei, é nisso que estamos concentrados, é sobre propostas concretas que o BE está concentrado, é isso que importa toda a gente”, defendeu.

Questionada se este tipo de posições dificulta novos entendimentos entre BE e PS, depois das eleições legislativas de outubro, Catarina Martins voltou a responder de forma indireta.

O BE está aqui, do primeiro ao último dia da legislatura, como nas próximas legislaturas, para todas as convergências que puxem pelo país, pelas condições concretas de quem aqui vive”, assegurou.

A coordenadora do Bloco referiu que, devido à existência de taxas moderadoras, ”há dois milhões de cuidados de saúde que não são prestados”, entre pessoas que deixam de realizar análises ou exames prescritos ou que não vão a uma consulta indicada pelo seu médico de família.

É prejudicial para a saúde dos portugueses e para as contas do SNS: quando não fazemos a prevenção da doença, os problemas tendem a agravar-se e temos depois os hospitais com situações ainda mais complicadas”, alertou.

Catarina Martins saudou que a medida tenha merecido um “amplo consenso” na Assembleia da República e lamentou que “alguns partidos tenham mudado de ideias”, depois de, no sábado, o semanário Expresso ter noticiado que o Governo deu indicações ao PS para alterar, na especialidade, o diploma do Bloco de Esquerda que previa a eliminação já em 2020 do pagamento das taxas moderadoras, introduzindo um faseamento.

Nós não mudamos de ideias, sabíamos bem o que estávamos a votar”, afirmou a líder do BE.