A coordenadora do BE, Catarina Martins, assumiu este domingo que o partido "teve um mau resultado" nas eleições regionais da Madeira e falhou o objetivo de eleger, lamentando que permaneça na região uma maioria de direita.

O BE hoje teve um mau resultado, não alcançou a representação parlamentar e portanto falhámos o nosso objetivo", admitiu Catarina Martins, em conferência de imprensa na sede nacional do BE, em Lisboa.

A coordenadora do BE apontou a "enorme bipolarização" destas eleições e lamentou que se continue "com uma maioria de direita na Madeira".

Questionada sobre se teme que estes maus resultados contaminem as eleições legislativas de 6 de outubro, Catarina Martins foi perentória: "as eleições nas região autónoma da Madeira sempre foram muito diferentes das eleições legislativas nacionais".

Nunca os eleitores confundiram, nunca os resultados do BE tiveram correspondência entre umas eleições e outras e portanto julgo que nunca houve, para nenhum partido, contaminação entre umas eleições e outras", sublinhou.

Assim, considerou, estes resultados de hoje na Madeira resultaram de "uma enorme bipolarização nestas eleições, uma eleição muito disputada entre PSD e PS, com perda aliás de representação parlamentar e de muitos eleitores para todas as outras forças políticas".

Da parte do BE, quer nacional quer da Madeira, Catarina Martins garantiu que será mantida "uma oposição à esquerda e o trabalho de todos os dias".

O BE já fez trabalho na Madeira com condições muito diversas, nunca deixámos de ser uma oposição de esquerda, pelas liberdades. por liberdades tão importantes como até a liberdade de imprensa que tantas vezes na Madeira foi atacada", lembrou.

Sobre quem deve tirar mais ilações destes maus resultados bloquistas, a estrutura nacional ou a estrutura local, a líder bloquista respondeu apenas que o partido não coloca "as coisas dessa forma".

Catarina Martins garante que "o BE teve a campanha forte, participada, com muitos militantes, com muita gente, com a participação normal da direção nacional do partido".

O cabeça de lista do BE às eleições legislativas da Madeira, Paulino Ascenção, manifestou-se “bastante desiludido” com os resultados.

O resultado é uma desilusão. A expectativa era crescermos, por aquilo que tínhamos visto da reação das pessoas nas ruas e até de algumas sondagens recentes. Mas, pronto, o que conta são os resultados", disse o candidato à agência Lusa.

O BE perdeu este domingo os dois deputados que tinha conseguido conquistar em 2015 e deixou de ter representação parlamentar na Assembleia Legislativa da Madeira, perdendo 2.361 votos em relação às últimas eleições regionais, numas eleições que o PSD venceu hoje com 39,42% dos votos, mas perdeu, pela primeira vez, a maioria absoluta.

De acordo com informação disponibilizada pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, o PS obteve 35,76% e elegeu 19 deputados.

O CDS-PP, com 5,76% dos votos e três deputados, foi a terceira força política mais votada, seguido pelo JPP, com 5,47% e também três parlamentares.

A CDU conquista um lugar, depois de alcançar 1,80% dos votos.

Mais nenhum partido conseguiu eleger deputados para a Assembleia Legislativa da Madeira, que tem um total de 47.

A abstenção foi de 44,49%.