A secretária de Estado das Comunidades Portuguesas afirmou no Canadá que ambos os governos vão colaborar mais para “tentarem resolver a situação dos trabalhadores indocumentados da construção civil”.  

Tivemos a debater um projeto piloto que existe em Toronto, numa parceria com o Canadian Labour Congress dirigido a trabalhadores indocumentados da construção civil em que há 500 vagas para legalizar a situação de indocumentados”, disse à agência Lusa Berta Nunes.

A secretária de Estado das Comunidades Portuguesas está de visita oficial ao Canadá, de terça-feira até sexta, onde tem agendados vários encontros com líderes comunitários portugueses, políticos luso-canadianos, visitando vários postos consulares portugueses e passando por Winnipeg, Otava, Kingston e Toronto.

Após ter estado em Winnipeg (Manitoba), esta quinta-feira a governante reuniu-se em Otava com os deputados federais luso-canadianos Alexandra Mendes e Peter Fonseca, e com Catherine Scott, a vice-ministra adjunta associada da Imigração, Refugiados e Cidadania do Canadá.

Ficamos de trocar informação e trabalhar mais em conjunto para que este piloto seja um sucesso e que depois possa ser alargado a outras províncias, esperando-se com isto, resolver a situação dos trabalhadores indocumentados que já não é o problema que foi, mas continua a ser”, afirmou Berta Nunes.

Um novo programa piloto destinado a trabalhadores da construção indocumentados entrou em vigor no dia 30 de julho de 2021, terminando a 02 de janeiro de 2023, assim que as 500 candidaturas para residência permanente sejam recebidas no ministério da imigração.

Esse programa foi um pouco afetado pela pandemia, mas até ao momento, apenas 129 vagas estão preenchidas. É um programa que não é só dirigido à comunidade portuguesa, mas a outras comunidades”, acrescentou.

Este programa de imigração veio substituir um outro que entrou em vigor, no princípio de janeiro de 2020, sendo exigido, entre vários critérios, que os trabalhadores da construção civil tenham entrado legalmente no Canadá, com residência temporária, ou que tenham residido no país pelo menos há cinco anos seguidos na data do pedido.

Segundo adiantou Berta Nunes, o Governo canadiano “percebeu que haviam alguns obstáculos para a legalização desses trabalhadores, nomeadamente com as exigências em relação à língua, no comprovativo dos rendimentos e em relação à forma como entraram no país”.

Nesse sentido, Otava ajustou o programa piloto com o objetivo de o tornar bem sucedido e com mais trabalhadores a resolveram “definitivamente a sua situação indocumentada”.

Este é um programa piloto destinado à construção civil. É importante para os portugueses, sendo que a construção civil é uma das áreas que os portugueses mais trabalharam quando iniciaram a sua imigração”, realçou.

A secretária de Estado das Comunidades vai hoje pelas 18:00 (22:00 de Lisboa) inaugurar a exposição de arte da Sociedade de Caridade Luso-Canadiana ‘Expressions’, no Consulado-Geral de Portugal em Toronto, estando prevista pelas 19:30 (23:30 de Lisboa) uma conferência de imprensa conjunta com a Fundação AEP sobre a Rede Global da Diáspora.

Dados do recenseamento canadiano de 2016 revelam que existiam no Canadá 483.610 portugueses e lusodescendentes, ou seja, 1,4% da população no país.

A maioria encontrava-se no Ontário (69%), no Quebeque (14%) e na Colúmbia Britânica (8%).

/ HCL