A coordenadora do BE, Catarina Martins, defendeu hoje que, com o partido com responsabilidades na Câmara de Lisboa, foi possível não só fazer “avanços para todo o país” como mostrar outra forma de fazer política autárquica.

Catarina Martins discursou esta tarde no comício de apresentação da candidatura da deputada Beatriz Gomes Dias como cabeça de lista do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara de Lisboa nas próximas eleições autárquicas, que decorreu maioritariamente ‘online’, estando cerca de 40 pessoas presentes fisicamente na Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, em Lisboa.

A coordenadora do BE começou por defender que, todos os que há quatro anos votaram no partido e permitiram que fosse eleito um vereador, “sabem que valeu a pena”, considerando que o partido, apesar do acordo de governação da autarquia com o PS, manteve “toda a autonomia, toda a independência e toda a capacidade de oposição sempre que foi preciso”.

Com a experiência do Bloco na autarquia de Lisboa nós conseguimos não só avanços para todo o país como que o país aprendesse outra forma de fazer as coisas e hoje o debate autárquico é diferente”, defendeu.

A líder do BE fez questão de começar por agradecer o trabalho que o vereador Manuel Grilo e toda a sua equipa fez no gabinete de Lisboa, que “é motivo de orgulho” pelo que conseguiram e pelo que se aprendeu em conjunto, mas não fez nenhuma referência direta a Ricardo Robles, o vereador inicialmente eleito em 2017, mas que saiu do cargo em 2018 na sequência da polémica que envolveu a venda de um imóvel.

Foi em Lisboa que começámos o percurso que leva hoje manuais escolares gratuitos a todas as crianças e a todos os jovens do ensino obrigatório em todo o país. Provamos que era possível em Lisboa e fizemo-lo em todo o país”, enalteceu, dando ainda os exemplos dos transportes e da tarifa social da água.

Para Catarina Martins, o BE provou que “era possível aprender a fazer as coisas difíceis de outra forma”.

Hoje não mais o debate sobre o apoio às pessoas mais vulneráveis será sobre se simplesmente se abre uma estação de metro para dormirem num dia mais frio. Não. Hoje falamos de casas, de acolhimento, de respeito, de dignidade”, afirmou.

Cada vez que se olham os problemas nos olhos, na perspetiva da dirigente bloquista, “não se criam fraturas, criam-se soluções”, bem como uma “cidade mais coesa”.

Apesar de todo o percurso deste mandato autárquico, Catarina Martins assumiu que “falta tanto, falta quase tudo” e por isso é que o BE precisa “de mais força” nas próximas eleições.

Queria falar-vos do orgulho que é para o BE ter a Beatriz como candidata à Câmara Municipal de Lisboa. Mulher, negra, ativista antirracista e que acredita numa cidade para todos e para todas e isso é também uma escolha”, enalteceu.

O executivo da Câmara de Lisboa é atualmente composto por oito eleitos pelo PS (no qual se incluem os Cidadãos por Lisboa), um do BE (que tem um acordo de governação do concelho com os socialistas), quatro do CDS-PP, dois do PSD e dois da CDU.

/ LF