O BE acusou esta terça-feira o PS de estar “mais preocupado” em alcançar uma maioria absoluta do que em resolver os problemas do país, mas reiterou a disponibilidade para dialogar, centrando-se mais no conteúdo do que na forma.

“Já dissemos e repito essa nossa disponibilidade de diálogo sob qualquer chapéu que lhe queiramos dar, sob qualquer nome de batismo”, afirmou o líder parlamentar bloquista.

Pedro Filipe Soares falava aos jornalistas na Assembleia da República, em Lisboa, numa reação à entrevista do primeiro-ministro, António Costa, à RTP na segunda-feira à noite.

O dirigente do BE alertou, no entanto, que “mais do que discutir a forma, é importante discutir o conteúdo”.

E apontou que o seu partido colocou “em cima da mesa matérias importantes a que o Governo não responde com a seriedade da sua análise, com os números que deveria responder”.

Na ótica do BE, o Governo está mais concentrado em “criar confronto político com os partidos à esquerda, mais preocupado em ambições políticas, mais preocupado em maiorias absolutas do que a resolver os verdadeiros problemas do país”.

Existe nesta matéria uma tentativa de fazer acusações aos partidos à esquerda que não serve para resolver nenhum dos problemas que estão em cima da mesa, antes para perpetuar aquilo que já foi iniciado no debate orçamental e que ontem foi feito de forma clara, a ambição de maioria absoluta do PS, de viva voz colocada em cima da mesa pelo senhor primeiro-ministro”, salientou.

Pedro Filipe Soares afirmou que o primeiro-ministro “repetiu uma acusação sobre uma medidas que o BE colocou em cima da mesa”, mas “novamente sem apresentar qualquer número, novamente sem a enquadrar financeiramente” e que se prende com a “eliminação de um corte que os pensionistas têm nas suas reformas quando acedem a ela de forma antecipada, que é o fator de sustentabilidade”.

Essa medida não só é sustentável como é necessária para responder às pessoas”, defendeu, apontando que “no ano de 2022 teria um custo em linha com o que o Governo aceitou que a EDP não pagasse de imposto pela venda das barragens”.

O BE, assegurou, tem conhecimento “do impacto dessa medida do ponto de vista económico, das contas públicas, mas também da melhoria que ela significaria para muitas pessoas”.

E afirmou que o Bloco de Esquerda “nunca faltou a nenhum diálogo para medidas à esquerda” e sempre o fez “de forma séria, de forma comprometida com a melhoria da qualidade de vida das pessoas e de forma sensata para com as contas públicas”.

O líder parlamentar criticou igualmente que “não se compreende como se coloca em cima da mesa uma suspeição e uma desconfiança sobre uma medida tão fundamental, que é a eliminação do corte nas pensões, quando na verdade ela seria uma medida de dignidade, sustentável e de escolha humana”.

Questionado se teme que o partido seja penalizado nas eleições legislativas de 30 de janeiro, Pedro Filipe Soares defendeu que “nenhum democrata pode temer o resultado de umas eleições”.

O primeiro-ministro recusou na segunda-feira que uma maioria absoluta do PS seja perigosa para a democracia, mas assumiu que se os socialistas não a alcançarem nas eleições procurará um entendimento “duradouro” com os parceiros de esquerda.

Peço o voto dos portugueses para uma solução estável para quatro anos de Governo. Com ou sem maioria [absoluta], não deixarei de dialogar”, declarou o líder do PS.

António Costa considerou ainda que a ‘geringonça’ “indiscutivelmente acabou” e indicou que cabe aos portugueses escolher “o que virá a seguir”.

/ NM