O Boco de Esquerda considera que "não há condições para o partido votar a favor" do Orçamento do Estado e admite mesmo o chumbo do documento.

A coordenadora do BE, Catarina Martins, assinalou esta posição numa conferência de imprensa, este sábado, após uma reunião da Mesa Nacional do partido, em Lisboa.

Catarina Martins sublinhou, no entanto, que ainda decorrem negociações entre o BE e o Governo socialista de António Costa que poderão levar o partido a abster-se e a viabilizar o Orçamento.

A Mesa Nacional regista que estão em curso ainda negociações entre o Bloco de Esquerda e o Governo do Partido Socialista e achou por bem não interromper esse processo negocial. A Mesa Nacional decidiu, por isso, mandatar a Comissão Política para prosseguir o processo negocial que vai permitir ao longo da próxima semana e ainda antes de sexta-feira verificar se há algum caminho possível para matérias orçamentais fundamentais que o Bloco de Esquerda propõe. Se houver esse caminho, o BE poderá abster-se e viabilizar o OE. No entanto, se estas negociações não derem esse caminho necessário, o BE votará contra o OE 2020."

A proposta do Governo do OE2020 esteve este sábado em análise na Mesa Nacional do BE, o órgão máximo do partido entre convenções.

Esta reunião, que já estava marcada desde meados de dezembro, acontece um dia depois de o primeiro-ministro, António Costa, ter recebido o BE e o PCP, em São Bento, em encontros que se destinaram a identificar pontos de consenso para a viabilização do Orçamento, mas sobre as quais não se conheceu ainda qualquer desenvolvimento. As reuniões foram fechadas e não houve declarações à imprensa no final.

O documento, que prevê o primeiro excedente da democracia (0,2% do PIB), foi entregue pelo Governo na Assembleia da República a 16 de dezembro e começa a ser discutido em plenário na generalidade na quinta-feira, sendo votado no dia seguinte.