A coordenadora do BE defendeu este sábado o englobamento de rendimentos no IRS como forma de aliviar a carga fiscal para quem trabalha e criar mais justiça fiscal, cobrando a quem ganha rendimentos de capital.

O que nós queremos é simultaneamente alivio fiscal para quem trabalha e mais justiça fiscal no nosso país, cobrando a quem ganha muito e não tem pago a sua devida parte", afirmou Catarina Martins.

A líder do Bloco de Esquerda (BE), que falava à margem de uma visita que fez ao Festival dos Míscaros, que decorre em Alcaide, concelho do Fundão, explicou que o seu partido colocou em cima da mesa de negociações com o Governo que estão em curso, esta medida dupla sobre o IRS.

Nós achamos que é preciso aliviar o IRS de quem trabalha. Quem trabalha em Portugal paga muitos impostos sobre o seu salário e sobre a sua pensão. E nós temos há muito uma discussão com o ministro Mário Centeno sobre a necessidade de criar mais escalões [IRS]", frisou.

Catarina Martins sublinhou ainda que o Governo acabou por criar, na última legislatura, mais escalões de IRS, mas entende que é possível no próximo Orçamento de Estado, continuar esse caminho de alivio fiscal para quem vive do seu salário ou da sua pensão, criando mais escalões de IRS.

Ao mesmo tempo, propomos uma medida de justiça fiscal que é o englobamento no IRS para que aquelas pessoas cujo rendimento não vem do trabalho, mas vem por exemplo de ações, paguem de impostos o mesmo que paga quem vive do seu salário ou da sua pensão. Porque, um país em que o salário e a pensão pagam mais impostos do que os rendimentos do capital é um país injusto", afirmou.

A líder do BE, entende que a forma certa de construir alivio fiscal para quem vive do seu trabalho, salário ou pensão e pagarem menos impostos, passa por fazer, ao mesmo tempo, um caminho de englobamento do IRS.

"Isso faz que quem ganhe milhões com rendimentos de capital e rendimentos prediais passe a pagar taxas de IRS iguais às pessoas que pagam a taxa sobre o seu salário e a sua pensão", concluiu.

 

BE quer exclusividade no SNS para médicos e diretores de serviço 

Catarina Martins defendeu ainda que a exclusividade no Serviço Nacional de Saúde (SNS) não deve ser só para os jovens médicos, deve ser estendida aos diretores de serviço dos hospitais.

A exclusividade é muito importante, sim, mas não deve ser só para os jovens médicos, deve ser, desde logo, para os diretores de serviço que são aqueles que têm competências para distribuir o serviço dos hospitais e, portanto, aqueles que é tão importante que estejam em exclusividade no SNS, para termos a melhor gestão do SNS e o acesso à saúde de toda a população", afirmou a líder do BE.

A bloquista realçou que existe um "enorme problema" no SNS com a "promiscuidade entre o público e o privado". E, neste âmbito vincou que têm sido levados meios financeiros do SNS para os hospitais privados, bem como profissionais de saúde e, nomeadamente, médicos.

No BE, temos chamado à atenção para isso há muito tempo. E não é por acaso que dissemos sempre que este era o tempo do SNS e que a grande discussão que tínhamos pela frente é o acesso à saúde. Fizemos o caminho para termos uma lei de bases da saúde que permitisse a exclusividade dos médicos e proteger o SNS e o financiamento do SNS. Foi a nossa luta na última legislatura", frisou.

Adiantou ainda que no país há falta de médicos em muitas especialidades: "Temos 50% dos obstetras a trabalhar só no privado e na pediatria, a situação não é muito diferente. E faltam anestesistas em todo o país".

A líder do BE destacou que, ao mesmo tempo que se constata esta realidade, existem mil médicos sem especialidade porque não tiveram acesso a formação.

"Por proposta do BE, a Assembleia da República aprovou a abertura de cursos extraordinários de especialidade para que estes médicos tivessem a formação necessária e entrassem no SNS", sublinhou.

Catarina Martins entende que é preciso haver exclusividade no SNS, mas também é necessário formar especialistas porque há concursos que ficam vazios.

Pensar que a exclusividade resolve o problema sem termos os médicos suficientes, não resolve. É preciso formar os especialistas e abrir os concursos", concluiu.