Os partidos em Portugal já começaram a reagir às polémicas declarações do presidente do Eurogrupo, que acusou os países do sul (Portugal incluído) de "gastarem o dinheiro todo em copos e mulheres" e depois pediram ajuda financeira. O PS pediu ao Partido Socialista Europeu a condenação "imediata" destas declarações "ultrajantes" pe a retirada de apoio político a uma sua recandidatura ao cargo de presidente do Eurogrupo. O BE classificou as palavras do também ministro holandês das Finanças como "xenófobas e sexistas", exigindo a "imediata retratação" do próprio, que recusou pedir desculpa quando confrontado com a situação pela primeira vez, no Parlamento Europeu.

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A secretária-geral Adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, enviou uma carta ao presidente do PES, Sergei Stanishev, classificando as declarações de Dijsselbloem de "ultrajantes e contrárias aos valores fundamentais do projeto europeu".

Merecem uma forte e imediata condenação da nossa família política. As palavras utilizadas são ofensivas, mesmo xenófobas, e não podem ser toleradas por nenhum partido político europeu e especialmente pelo nosso Partido Socialista Europeu (PSE)".

Na carta, à qual a TVI teve acesso, a socialista recorda também que "infelizmente, não é a primeira vez que o presidente do Eurogrupo expressa publicamente a sua visão estreita contra a solidariedade e unidade dos Estados-membros da União Europeia".

"É tempo de a nossa família política reagir, condenando estas palavras vergonhosas e distanciar o PSE e todos os nossos partidos das opiniões do senhor Jeroen Dijsselbloem", pede Ana Catarina Martins, para quem "é agora evidente que alguém que partilha estas opiniões não reúne condições para exercer as funções de presidente do Eurogrupo. E o PSE deve retirar qualquer apoio político à sua candidatura".

O Bloco de Esquerda, por sua vez, apresentou esta terça-feira um voto de repúdio pelas declarações “provocatórias, xenófobas e sexistas” do presidente do Eurogrupo.

No texto, a que a agência Lusa teve acesso, o BE acusa Joeren Djisselbloem de “insultar todos os cidadãos do sul da Europa e as suas instituições” e exige a “imediata retratação” do ministro das Finanças holandês.

Para os bloquistas, esta “tentativa simplista e demagógica de explicar” o que levou à crise na União Económica e Monetária são afirmações são também “inaceitáveis e um insulto a todos os cidadãos da Europa”.  Joeren Djisselbloem mostra uma “visão preconceituosa e chauvinista sobre milhões de cidadãos”.

O Bloco de Esquerda pretende, por isso, que a Assembleia da República expresse o seu “mais veemente repúdio” pelas declarações do presidente do Eurogrupo e “exige a sua imediata retratação”.

Os bloquistas pretendem que o voto seja votado na próxima sexta-feira.