A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) disse hoje temer que com a polémica entre o primeiro-ministro e a Ordem dos Médicos "se perca o foco no essencial", quando o Estado devia fiscalizar os lares de idosos.

O que eu temo é que se perca o foco no essencial. E eu lembro que houve, pelo menos, dois lares em que houve mortes por covid que não estão explicadas e que nos devem indignar a todos. Tanto no Lar de Reguengos como no Lar do Comércio em Matosinhos, por exemplo, os dois sobre investigação do Ministério Público", disse hoje Catarina Martins aos jornalistas no final de uma viagem de comboio regional entre Guarda e Mangualde (Viseu), na Linha da Beira Alta, para "chamar a atenção para a ferrovia e para a mobilidade no interior".

Questionada sobre a polémica que surgiu após as declarações de António Costa em 'off' à margem de uma entrevista ao Expresso, quando alegadamente chamou de "cobardes" aos médicos envolvidos no surto de covid-19 em Reguengos de Monsaraz, Catarina Martins respondeu que "deve-nos indignar fortemente e obrigar-nos à ação, quando os lares, que é onde as pessoas deviam estar mais seguras, porque o vírus não devia entrar, passam a ser um perigo".

Acrescentou que "40% das mortes por covid em Portugal foram de pessoas que estão a viver em lares e isto deve-nos preocupar".

Em 2016 o BE defendeu uma fiscalização articulada entre a Segurança Social e a Saúde aos lares e "não foi feita", apontou.

A mim o que me preocupa é, sobretudo, que se perca o foco no essencial e o essencial é proteger as pessoas, é não deixarmos ninguém abandonado. E, para isso é preciso mais testes nos lares, é preciso mais investimento público, é preciso mais formação de quem trabalha nos lares, e, naturalmente com salários dignos, porque, sabemos que há todo o tipo de abusos laborais, também nos lares. Isso é que tem de ser feito", afirmou.

Na opinião de Catarina Martins, "o Estado devia estar neste momento e concentrado, não em picardias, mas sim em estar agora a fiscalizar todos ao lares, a fazer mais testes, mais testagem, a formar os profissionais e a oferecer respostas dignas a todas as pessoas."

Ainda em relação à Saúde, disse que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) "precisa de ser reforçado" e o seu funcionamento "tem de voltar à normalidade".

Recordou que o BE propôs criar "corredores separados para covid e não covid" para que, ao mesmo tempo que o setor da Saúde responde ao surto de covid, toda a outra atividade "esteja "normalmente a funcionar", o que obriga a recrutar mais profissionais.

E é por isso que nós insistimos que o que ficou acordado, que foi votado, aprovado no Parlamento por insistência do BE de aumento de profissionais de Saúde para o SNS, tem de ser feito. E tem de ser feito já. Estamos no fim de agosto, já lá vão oito meses deste ano, sem estarem estas contratações feitas e elas são absolutamente essenciais para que toda a gente tenha acesso aos cuidados de saúde que são necessários", concluiu.

Portugal contabiliza pelo menos 1.807 mortos associados à covid-19 em 56.274 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde.

/ Publicada por ALM