A coordenadora do Bloco de Esquerda criticou esta quarta-feira o “péssimo anúncio” para as famílias e a “má opção” do Governo sobre a eletricidade, considerando que se vai “roubar nos transportes”, ou seja no Fundo Ambiental, para manter “lucros estratosféricos das elétricas”.

No terça-feira, em conferência de imprensa, o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, garantiu que não haverá aumento de preço da eletricidade para os consumidores domésticos do mercado regulado em 2022 e haverá uma redução de pelo menos 30% na tarifa de acesso às redes para os industriais.

A declaração do senhor ministro do Ambiente é uma profunda desilusão e é perigosa. Na verdade, o Governo anunciou que vai fazer precisamente aquilo que o Bloco de Esquerda tinha avisado que seria a má opção”, criticou a líder bloquista Catarina Martins, no final de uma viagem de metro em Almada, no arranque do nono dia de campanha autárquica.

Segundo Catarina Martins, o executivo “vai buscar o dinheiro ao Fundo Ambiental para que as elétricas possam manter os seus lucros estratosféricos” ao invés “de cortar nesses lucros, garantir que baixa a luz e manter o Fundo Ambiental para o que ele serve”.

O que o Governo está a dizer é que está a roubar nos transportes para garantir os lucros estratosféricos das elétricas em vez de fazer como em Espanha e pôr regras no mercado que permitem, ao mesmo tempo que baixa a conta da luz, manter o acesso aos transportes coletivos”, condenou.

A dirigente bloquista disse não saber “se o Governo achou que este era um grande anúncio para as famílias”, mas deixou claro que “não é”.

“É péssimo. O que o Governo está a dizer é: um, não baixa a conta da luz, dois, vai entregar dinheiro às elétricas que devia servir para baixar o preço do passe”, atirou.

O “problema do anúncio do Governo não é só timing”, respondeu a líder do BE quando questionada sobre o momento de o anúncio ser em vésperas de eleições autárquicas.

É que é mau, é política errada, é política velha, é dizer que, em vez de nós apostarmos na transição energética, em transportes coletivos, em termos as pessoas a andarem sem poluírem, não. Vamos buscar o dinheiro que servia para esse caminho de descarbonização, transportes coletivos, das pessoas terem passes mais baratos para entregar às elétricas para elas continuarem a ter lucros estratosféricos e a conta a luz em Portugal nem sequer baixa quando é já uma das mais altas da Europa em paridade de poder de compra”, explicou.

Agência Lusa / AG