Cinco dias depois, a candidata do BE à presidência da Câmara de Lisboa, Beatriz Gomes Dias, voltou ao mercado de Benfica, acompanhada agora da coordenadora do partido, Catarina Martins, onde ouviu que a esquerda mudou a governação na capital.

Há quatro anos quando lhe disse que não estava muito contente disse-me que as coisas podiam mudar com a esquerda e mudou, eu estava errado”, reconheceu um cidadão dirigindo-se a Catarina Martins, ladeada por Beatriz Gomes Dias.

“Mais votos à esquerda puxam sempre pela esquerda”, retorquiu Catarina Martins, frisando que, no próximo domingo, é novamente importante votar.

No penúltimo dia de campanha, Beatriz Gomes Dias começou o dia com uma visita ao mercado de Benfica, contando com a presença da coordenadora do partindo, lembrando a importância destes espaços para a cidade.

“O mercado de Benfica é um dos mais emblemáticos da cidade, é um mercado bastante vivo, com muitos clientes comparando com outros que já visitámos, como o de Campo de Ourique, são mercados importantes, mas não têm a mesma implantação local”, disse à Lusa no final da visita.

Catarina Martins comandou a visita distribuindo panfletos, apresentando a candidata a Lisboa e trocando sempre palavras ora com clientes, ora com vendedores.

“Contamos consigo, fiquei muito contente em revê-la”, disse um dos senhores que se cruzou com a coordenadora do Bloco de Esquerda.

O Bloco de Esquerda tem um acordo de governação com o PS na Câmara Municipal de Lisboa, presidida por Fernando Medina (PS), tendo atribuído o pelouro dos Direitos Sociais e Educação.

No final da visita, Beatriz Gomes Dias frisou que a comitiva bloquista é sempre “muito bem recebida”, lembrando que no sábado passado também tinha tido uma boa receção das pessoas quando visitou o mercado com Francisco Louçã, um dos fundadores do partido.

“As visitas permitem-nos perceber a realidade dos comerciantes, um assunto que nos têm dito que não é muito trazido para a campanha”, explicou, considerando também que, vir em dois dias diferentes da semana dão para perceber as diferenças das dinâmicas.

A candidata adiantou também que algumas das queixas dos comerciantes prendem-se com o facto de o mercado de Benfica ter um projeto de reabilitação, mas pairar “muitas incertezas” sobre o que, de facto, irá acontecer.

Uma das necessidades apontadas, referiu Beatriz Gomes Dias, é o estacionamento, avançando que os comerciantes do mercado, bem como os de lojas de rua, como os abordados na Ajuda, lamentam não conseguir competir com as grandes superfícies.

“A lojas de rua sentem que o seu negócio é prejudicado pela dificuldade de acesso às lojas quando comparado com as grandes superfícies, devido ao estacionamento interior que é mais sedutor para os clientes”, afirmou, considerando a importância de encontrar soluções.

“Há que garantir que os clientes chegam aos mercados porque são vitais e fundamentais para a dinâmica da cidade e dão vida. Estes são também espaço de encontro e as cidades precisam destes espaços de encontro”, sublinhou.

Na visita ao mercado esteve também o vereador dos Direitos Sociais, Manuel Grilo, as deputadas Mariana Mortágua e Isabel Pires, candidata à Assembleia Municipal de Lisboa, e o candidato à Junta de Freguesia de Benfica, João David Almeida.

A Câmara de Lisboa é atualmente composta por oito eleitos pelo PS (incluindo dos Cidadãos por Lisboa e do Lisboa é Muita Gente), um do BE (que tem um acordo de governação do concelho com os socialistas), quatro do CDS-PP, dois do PSD e dois da CDU.

Na corrida à presidência da autarquia estão, além de Beatriz Gomes Dias, o atual presidente da câmara, Fernando Medina (coligação PS/Livre), Carlos Moedas (coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT/Aliança), João Ferreira (CDU), Bruno Horta Soares (IL), Nuno Graciano (Chega), Manuela Gonzaga (PAN), Tiago Matos Gomes (Volt Portugal), Ossanda Líber (Movimento Somos Todos Lisboa), Sofia Afonso Ferreira (Nós, Cidadãos!), Bruno Fialho (PDR) e João Patrocínio (Ergue-te).

Agência Lusa / AG