O Bloco de Esquerda (BE) questionou esta sexta-feira o Governo sobre as medidas que estão em curso para controlar o surto de `legionella´ no Grande Porto, que já causou nove mortes, e que outras vai adotar para evitar novas situações.

Numa pergunta dirigida ao Ministério da Saúde, liderado por Marta Temido, os deputados Maria Manuel Rola e Jorge Costa querem saber se o Governo está “em condições” de revelar a origem do surto.

Até à data, e tendo em consideração a sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde decorrente do atual momento pandémico, foram prestados todos os cuidados de saúde necessários aos pacientes infetados por ‘legionella’”, perguntam ainda.

Os bloquistas entendem que as entidades competentes devem esclarecer os motivos que levaram ao aparecimento deste surto, uma vez que estes podem ser prevenidos quando as unidades industriais são monitorizadas e fiscalizadas com regularidade.

O número de casos de ‘legionella' diagnosticados desde o início de surto, a 29 outubro, é de 85, registando-se nove mortes devido a complicações associadas à doença.

Na terça-feira, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte adiantou que "como medida cautelar, a Autoridade de Saúde de Matosinhos procedeu à suspensão do funcionamento das torres de refrigeração de duas indústrias, localizadas no concelho de Matosinhos".

Posteriormente, na quinta-feira, a conserveira Ramirez, uma dessas duas empresas, revelou que as análises realizadas à presença da bactéria deram negativo. Por isso, pôde reativar as suas torres de refrigeração, segundo informação da ARS-Norte, nesse mesmo dia à noite.

Pouco depois, a Longa Vida, a outra fábrica “suspeita”, frisou, em comunicado, ainda não ter recebido os resultados das análises realizadas às suas torres de refrigeração.

Apesar de aguardar a confirmação oficial sobre a fonte de contágio, a presidente da Câmara Municipal de Matosinhos pediu já esclarecimentos à ARS-Norte.

Na semana passada, o Ministério Público anunciou a abertura de um inquérito para investigar as causas do surto.

A doença do legionário, provocada pela bactéria 'Legionella pneumophila', contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.