A coordenadora do BE, Catarina Martins, anunciou este sábado, na XI Convenção Nacional, que vai propor a atual eurodeputada do partido, Marisa Matias, como cabeça de listas às eleições europeias do próximo ano.

A proposta que farei à próxima Mesa Nacional, se assim for o sentido da decisão desta Convenção, é esta: que seja a Marisa Matias a nossa primeira voz nas eleições europeias de maio de 2019", anunciou Catarina Martins na sua intervenção na abertura da XI Convenção Nacional do BE, que decorre até domingo em Lisboa, perante uma longa ovação, de pé, dos delegados.

Responder "à altura das responsabilidades que o Bloco tem hoje", na opinião da líder bloquista, "não exige menos" do que "ter a melhor candidata no Parlamento Europeu", sendo Marisa Matias não só "a melhor candidata que o Bloco pode ter, mas a melhor candidata que o país pode ter".

As eleições europeias de 2019 estão marcadas, em Portugal, para dia 26 de maio do próximo ano.

Marisa Matias admitiu que o reforço das forças de esquerda na composição do próximo Parlamento Europeu vai ser "uma batalha muito difícil".

Em declarações à Lusa, na sequência do anúncio da proposta para a sua recandidatura nas europeias de 26 de maio do próximo ano, Marisa Matias considerou "uma incógnita" o desenho das forças de esquerda no novo PE.

"Infelizmente, acho que vai ser um Parlamento com mais forças de direita e populistas", afirmou a eurdeputada, considerando que no dia a seguir às eleições vai haver "uma reconfiguração política do sistema", sendo de prever "uma quebra profunda tanto dos liberais como dos sociais-democratas".

Na sexta-feira, na sessão internacionalista, intitulada "Bella Ciao", realizada no âmbito da convenção, a eurodeputada bloquista alertara para os perigos do crescimento do fascismo, considerando que "o grande centro, por culpa própria, está a esvaziar-se".

Alertar para os perigos do crescimento do fascismo não é um exagero, é uma obrigação. A obrigação histórica de quem não quer cometer os erros do passado, a memória e a solidariedade para resistir ao invasor que chegou com pezinhos de lá e hoje já usa botas cardadas em tantos países europeus", disse.

Na opinião da eurodeputada do BE, "a legitimação e a naturalização destas propostas foi feita muitas vezes com a cumplicidade das principais forças políticas europeias que, não só lhes deram muito gás, como garantiram a legitimidade de que precisavam".

"O grande centro, por culpa própria, está a esvaziar-se e é a nossa obrigação, é o nosso dever ocuparmos os espaços vazios", avisou.