O BE desafiou esta terça-feira o Governo a deixar os anúncios e “passar à prática” nas medidas de apoio devido à pandemia, sobretudo tendo em conta o prolongamento anunciado do confinamento, defendendo uma mudança “muito clara” na estratégia de testagem.

Após a reunião desta manhã para analisar a situação epidemiológica em Portugal, que voltou a juntar especialistas e responsáveis políticos, o deputado do BE Moisés Ferreira falou aos jornalistas no parlamento, em Lisboa, considerando que o confinamento que vai continuar “é um dos caminhos que é necessário manter durante algum tempo” para baixar a pressão sobre o SNS e quebrar cadeias de transmissão.

O Governo tem de perceber, de uma vez por todas, que se não quer ser responsável pelo agravamento das desigualdades, da pobreza, do desemprego, tem de se deixar de anúncios [de medidas de apoio] e tem de passar à prática. Já vamos com quase um ano de pandemia e há medidas que nunca saíram do papel”, desafiou.

O repto para que as medidas de apoio cheguem finalmente à vida das pessoas foi uma das principais ideias transmitidas por Moisés Ferreira, “sabendo que durante mais algumas semanas o país terá de continuar a enfrentar este confinamento”.

“A pandemia está a criar desemprego, pobreza e não ter medidas a sério, medidas concretas, medidas que sejam mesmo reais e não apenas anúncios por parte do Governo agrava as desigualdades, o desemprego, a pobreza”, avisou.

Outra das conclusões da reunião, na perspetiva do deputado do BE, é que o “país tem que mudar de uma forma muito clara aquela que é a sua estratégia de testagem”.

Até agora tem testado consoante a identificação de um caso suspeito, mas nós precisamos de mudar isto, precisamos de testar mais, precisamos de testar muito mais pessoas por dia, com base populacional, de forma aleatória, de forma estatística e não podemos continuar com a mesma abordagem”, apontou.

Para isto, de acordo com Moisés Ferreira, “é preciso colocar no terreno não só mais capacidade, mas também agilizar o papel do Infarmed na avaliação de novos testes, novas tecnologias, como o teste de saliva”.

A urgência de acelerar a vacinação foi outro dos aspetos identificados pelo BE, explicando o deputado que o problema é que “no plano inicial estava previsto que até ao final do primeiro trimestre de 2021 seriam entregues a Portugal quatro milhões de vacinas” e neste momento, em meados de fevereiro, foram apenas entregues 500 mil.

Várias farmacêuticas, que foram financiadas por dinheiro público para a investigação comprometeram-se com entregas que não estão a cumprir e com isso estamos a atrasar a vacinação”, criticou.

Para ultrapassar esta limitação, Moisés Ferreira insistiu numa proposta que o BE tem vindo a defender.

É preciso que o Governo não só aqui, mas na União Europeia tome uma posição clara sobre este assunto. As vacinas foram financiadas por dinheiro público - tanto a sua investigação como a sua produção - as patentes devem ser públicas e, portanto, devem ser levantadas para que possa haver produção destas vacinas nos vários laboratórios a nível mundial”, reiterou.

Portugal deverá continuar com o nível de confinamento atual até meados de março, afirmou esta terça-feira a ministra da Saúde, Marta Temido, indicando que o país continua com uma “incidência extremamente elevada” de novos casos de contágio pelo novo coronavírus.

O país registou esta terça-feira 203 mortes relacionadas com a covid-19 e 2.583 casos de infeção com o novo coronavírus, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

PAN favorável à renovação do estado de emergência mas pede mais apoios

O PAN mostrou-se hoje favorável à renovação do estado de emergência, defendendo que as restrições de contactos e à circulação devem continuar, mas pediu ao Governo que melhore os apoios e reforce a testagem.

"No que diz respeito à renovação do estado de emergência, o PAN acompanha", afirmou o porta-voz, André Silva, considerando que "é inquestionável e inevitável" que "é necessário continuar com estas restrições".

No entanto, prosseguiu o dirigente, "há vários aspetos que têm que ter renovados, têm que ser melhorados, há apoios que têm de ser estendidos, por forma a apoiar aquela que é a atividade económica, o rendimento das pessoas".

André Silva falava aos jornalistas na Assembleia da República, em Lisboa, no final de uma audiência com o Presidente da República, que decorreu por videoconferência, e depois de ter assistido, hoje de manhã, à reunião com os epidemiologistas, no Infarmed, sobre a evolução da covid-19.

"As nossas objeções não se colocam tanto na renovação do decreto do senhor Presidente da República, mas sim naquilo que é a atuação do Governo na renovação de algumas medidas que são fundamentais", salientou André Silva.

Entre elas, o deputado defendeu "a renovação de algumas linhas de apoio, por exemplo, para o setor da restauração", considerando que a burocracia "é demasiada" e tempo de espera "é desesperante".

Outra das propostas do PAN passa por "garantir que aqueles pais que estão exclusivamente a tomar conta dos seus filhos possam ter esse rendimento assegurado a 100%".

/ JGR