O BE e o CDS alertaram esta quinta-feira, no debate do estado de emergência, para a “bomba-relógio” das moratórias, com os bloquistas a apontar “incompetências ao poder executivo” e os centristas a criticar a existência de “dois países”.

O parlamento autorizou esta quinta-feira uma nova renovação do estado de emergência até 15 de abril para permitir medidas de contenção da covid-19, com os votos a favor do PS, PSD, CDS-PP e deputada não inscrita Cristina Rodrigues e abstenção do BE.

No debate que antecedeu a votação, o líder parlamentar bloquista, Pedro Filipe Soares, afirmou ser “compreensível que este estado de emergência é inevitável” devido à necessidade de acautelar a mobilidade da população na Páscoa.

Da mesma forma que anteriormente exigimos mais do Governo para responder quer à pandemia quer aos efeitos da pandemia e dos estados de emergência, também agora não podemos calar a nossa voz face a algumas ineficiências, falta de eficácias ou até mesmo incompetências que temos visto no poder executivo”, apontou.

Condenando os atrasos na vacinação e na testagem, Pedro Filipe Soares reiterou as críticas já feitas esta manhã, pela voz do deputado bloquista José Soeiro, sobre as alterações aprovadas pelo parlamento no início do mês, apenas com o PS contra, aos apoios aos trabalhadores independentes.

O Governo quer ser uma oposição a quem responde à crise e vai bater à porta do Presidente da República pedindo para vetar o que saiu aqui da Assembleia da República”, condenou, considerando esta posição “incompreensível”.

O líder parlamentar do BE terminou com os avisos para “uma bomba-relógio” que são as moratórias, uma vez que parte delas terminam já no final deste mês, criticando o silêncio do Governo sobre esta matéria.

Também o CDS-PP, pela voz de Cecília Meireles, manifestou preocupação com as moratórias bancárias, que foram “a válvula de escape do sistema” e é por isso que “são uma bomba-relógio”.

Quando se fala em prorrogar as moratórias ou melhor em adiar o pagamento às moratórias, nós não estamos a falar em desativar a bomba-relógio. Nós estamos a falar em adiar o momento da sua explosão”, defendeu.

Na perspetiva dos centristas, não pode haver “dois países”: “Um que pode confinar, e que continua a ter o seu trabalho, os seus direitos e o seu salário; e outro que perde tudo, que não encontra respostas, e que não pode ficar em casa porque pura e simplesmente não encontra forma de a sustentar”, avisou.

O CDS-PP explicou que iria votar favoravelmente este estado de emergência “na medida do que é estritamente necessário para que o país possa desconfinar em segurança”.

Já o PAN, através de André Silva, defendeu que é preciso que o Governo e as autoridades de saúde “comuniquem melhor e expliquem que “a desobediência de hoje pode significar a restrição de amanhã”.

André Silva avisou ainda que “a leveza no controlo de fronteiras e na monitorização de novas variantes hoje será, pela certa, a restrição de amanhã”.

No que toca à vacinação, por um conjunto de razões, algumas alheias ao nosso país, não está a correr como desejado, contudo, foi-nos prometido que nas próximas semanas teríamos um tsunami de vacinação. Fazemos votos que este tsunami não se transforme num ‘Lay Day’, com um mar ‘flat’ que faça do plano de vacinação um ‘flop’”, apelou.

A deputada não inscrita Cristina Rodrigues também apelou a que ao “um plano de vacinação eficiente” se junte “um plano de testagem massiva”.

No fundo, devemos fazer tudo para que o processo de desconfinamento seja bem-sucedido e possamos acabar o quanto antes com a declaração do estado de emergência, até porque esta não é necessária para continuarem a existir determinadas medidas restritas”, afirmou.

/ JGR