A coordenadora do BE, Catarina Martins, defendeu no Porto que “não há nenhuma regra que seja imposta a um restaurante ou a um hotel que possa substituir a obrigação do Governo de contratar equipas de Saúde Pública”.

Em declarações à margem de uma visita a um bairro do Porto alvo da gentrificação, Catarina Martins respondeu às novas regras anunciadas pelo Governo de controlo da pandemia, sublinhando a necessidade de dar condições de trabalho às equipas de Saúde Pública.

Não há nenhuma regra que seja imposta a um restaurante ou a um hotel que possa substituir a obrigação do Governo de contratar equipas de saúde pública que façam os rastreios de contactos e garantam a segurança do país”, sustentou a líder do BE.

Assinalando a responsabilidade de cada um dos portugueses em travar a pandemia, Catarina Martins, chamou a atenção para a necessidade de que a “Saúde Pública funcione”.

“Serve-nos de pouco dizer que há atividades que se podem ou não fazer [quando] as equipas de saúde pública são tão pequenas, com contratos ao mês e que, portanto, estão sempre a mudar, que não conseguem fazer os rastreios de contactos de quem está infetado”, enfatizou.

E insistiu: “não vale desresponsabilizar o Governo dizendo que depois os restaurantes e os hotéis é que vão substituir o facto de não haver investimento suficiente na Saúde Pública”.

“Contratar as pessoas ao mês significa que as pessoas estão sempre a rodar. Quando uma equipa chega significa que quem lá está a fazer o trabalho tem de formar os que chegaram. Esta gente está exausta. Tem feito um trabalho extraordinário, mas precisam de mais pessoas e de contratos mais estáveis para fazerem o seu trabalho”, disse.

Catarina Martins lembrou ainda que “testar mais gente é proposta do Bloco desde o verão passado” e que o “Governo prometeu mês após mês e parece que agora quer avançar finalmente. Mas a testagem também exige equipa de saúde pública”.

 

BE quer mudança política para evitar novo escândalo imobiliário em 10 anos

A coordenadora do BE, defendeu no Porto, uma mudança política que evite, dentro de 10 anos, que as bolhas imobiliárias com interesses cruzados que o tribunal está a investigar no âmbito do “cartão vermelho” se repitam.

Catarina Martins falava à margem de uma visita a um bairro do Porto alvo da gentrificação, em que esteve acompanhada pelo candidato bloquista à Câmara do Porto Sérgio Aires.

“Todos os casos têm de ser investigados e retiradas as consequências de tudo o que aconteceu e o que está a ser agora investigados são casos que têm 10 anos e que se começaram a ser investigados depois do BES ter explodido”, disse a dirigente partidária sobre o processo que envolve, entre outros, o ex-presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira.

E prosseguiu: “precisamos de garantir que não estamos novamente em novas em bolhas imobiliárias de interesses cruzados entre política, banca e futebol que, na verdade, daqui a 10 anos vão criar novos buracos para os contribuintes pagarem”.

Enfatizando o imperioso de “que todas consequências sejam retiradas, a todos os níveis, e o Banco de Portugal, seguramente, tem de reavaliar as suas decisões”, a líder bloquista apontou também ao Governo neste contexto.

“É importante também mudar a política, porque senão vamos andar de 10 e 10 anos a fazer de conta que estamos muitos espantados por haver pessoas que estoiram milhões e depois deixam as contas para os contribuintes”.

/ HCL