A coordenadora bloquista, Catarina Martins, fez esta segunda-feira um apelo ao voto dos indecisos porque nada está determinado nestas eleições, defendendo que "a força do Bloco de Esquerda pode mudar tudo sobre o que será a próxima legislatura".

Num jantar comício em São João de Ver, concelho de Santa Maria da Feira - que qualificou, logo no arranque do discurso, como o "maior jantar de sempre do Bloco no distrito de Aveiro” - Catarina Martins dirigiu-se aos indecisos, a "tanta gente que ainda não decidiu o seu voto" nas eleições de domingo, para as quais lembrou que "faltam cinco dias".

A força do Bloco de Esquerda pode mudar tudo sobre o que será a próxima legislatura", apelou, afirmando, mais do que uma vez, que "nada está decidido".

A lista das mudanças que podem acontecer com um reforço do BE no parlamento veio logo a seguir: "para dar mais força a quem trabalha, a quem trabalhou toda uma vida, para salvar o Serviço Nacional da Saúde, por uma escola pública que responda a toda a gente, pelo acesso aos transportes, pelas condições concretas de vida desta gente".

Andámos muito, mas este é ainda um país injusto e desigual", justificou.

O combate à maioria absoluta do PS não ficou de fora do discurso, uma intervenção com a qual quis deixar claro com esta legislatura só começou "a viragem, mas é preciso fazer tudo o que falta".

Aqui vamos eleger o Moisés [Ferreira], vamos eleger o Nelson [Peralta], vamos reforçar o Bloco para fazer todo o caminho que está pela frente", disse, estabelecendo assim a meta de aumentar de um para dois o número de deputados eleitos pelo distrito de Aveiro.

Foi precisamente Moisés Ferreira, deputado recandidato como cabeça de lista por Aveiro, que subiu ao palco antes de Catarina Martins para um raro momento em que os bloquistas concordaram com o antigo líder do CDS-PP Paulo Portas, que "decidiu reaparecer nos últimos dias".

[Paulo Portas] foi anunciado mandatário distrital do CDS e veio ao distrito dizer: se o CDS perder deputados no distrito, esses deputados vão para a esquerda. Acho que Paulo Portas tem razão", atirou.

Para o cabeça de lista bloquista, Aveiro "ficará muito melhor com deputados do BE e sem deputados do CDS ".

O reforço do BE é a solução para enfraquecer a direita e para impedir uma maioria absoluta do PS", sintetizou Moisés Ferreira.

Catarina acusa Costa de se ter esquecido de cortes do tempo da Troika

Catarina Martins criticou que o primeiro-ministro se tenha esquecido que "há tempo e dinheiro que foi tirado aos trabalhadores no Governo PSD/ CDS" e ainda não foi reposto, insistindo numa mexida na lei laboral.

Na véspera da entrada em vigor da nova legislação laboral, Catarina Martins quis focar nas questões do trabalho parte do discurso que fez esta noite.

Não esquecemos que o tanto que a ‘troika’ tirou a quem vive do seu trabalho ainda não foi reposto. António Costa [primeiro-ministro e líder do PS] esqueceu-se que há tempo e dinheiro que foi tirado aos trabalhadores no Governo PSD e CDS e que ainda não foi reposto", criticou.

O BE, segunda a sua líder, quer "respeitar quem trabalha e equilibrar os pratos da balança".

Quando no país cresce a economia mais do que crescem os salários, não nos enganemos: precisamos mesmo de mexer na lei do trabalho e quem aqui está sabe que só um Bloco com mais força garante as alterações que repõem o salário e repõem o descanso quem trabalha neste país", assegurou.

/ JFP