O Bloco de Esquerda acusou esta quinta-feira o Governo português de contribuir para o “coro legitimador da escalada da violência contra a Faixa de Gaza”, desafiando o executivo a “condenar inequivocamente as agressões do Estado de Israel”.

Numa declaração política na Assembleia da República, o deputado do BE Fabian Figueiredo acusou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de “insistir numa suposta equidistância entre Israel e Palestina”, defendendo que “num genocídio, numa limpeza étnica, numa ocupação militar, não há um confronto entre partes iguais”.

Somos um pequeno país na ordem internacional, mas não somos um país sem capacidade de influenciar a ordem internacional”, afirmou, apelando a que Portugal defenda sanções internacionais a Israel até ao cessar-fogo e reconheça a Palestina como Estado independente, cumprindo uma resolução “aprovada pela Assembleia da República em dezembro de 2014”.

O tema dividiu como habitualmente o plenário, com PCP e Verdes, a secundarem a posição bloquista e PSD e CDS a criticarem-na.

O PS, pela voz do deputado Paulo Pisco, secundou a posição do MNE, salientando que “Portugal não muda de posição relativamente ao conflito israelo-palestiniano”.

Portugal condena a política de colonização e ocupação de território, e defende como sempre defendeu e sempre defenderá a solução dos dois Estados”, afirmou.

O deputado socialista apelou a um “cessar-fogo imediato” e classificou este conflito como “uma tragédia que se repete há sete décadas, sempre com uma escandalosa desproporção de vítimas e destruição do lado palestiniano”.

Pelo PSD, a deputada Catarina Rocha Ferreira considerou que “há poucos inocentes ao longo da história neste conflito” e esses são as famílias civis.

Temos de começar por salientar o caráter atípico deste conflito, de um lado temos o Estado de Israel, e do outro lado, o Hamas, que é uma organização terrorista” afirmou, considerando que “a população de Gaza está refém do Hamas, que se apropriou da causa palestiniana com o propósito de destruir o Estado de Israel”.

A deputada considerou que neste conflito há dois povos, ambos a sofrer do mesmo mal”, apelando a que o parlamento português não tome “posições extremadas” e de “defesa de organizações terroristas”.

Na mesma linha, o líder parlamentar do CDS-PP, Telmo Correia, questionou o deputado do BE se “consegue perceber neste conflito entre Israel e o Hamas onde está a democracia e onde está o totalitarismo”.

Estão disponíveis para condenar os ataques do Hamas?”, questionou.

No polo oposto, o deputado do PCP Bruno Dias defendeu que “na Palestina, não há um conflito, há uma ocupação” por parte de Israel.

Exige-se do Governo português uma posição clara e contundente nomeadamente quando exerce a presidência portuguesa da União Europeia”, desafiou.

Pelo PAN, a deputada Bebiana Cunha rejeitou igualmente que se possa aplicar o termo conflito ao que se passa naqueles territórios, apontando “abusos sistemáticos dos direitos do povo palestiniano”.

Quando falamos de provocações do Hamas com uma resposta desproporcional de Israel, estamos a falar como se estivéssemos a atacar uma formiga com um canhão”, disse.

Na mesma linha, José Luís Ferreira, pelos Verdes, classificou igualmente a situação como “um massacre, onde uma das partes quer apossar-se de territórios” e como “uma ocupação em andamento há muitos anos”.

Na resposta aos pedidos de esclarecimento das várias bancadas, o deputado do BE Fabian Figueiredo foi especialmente crítico da intervenção do PSD, dizendo que “o património do PSD em matéria de Médio Oriente é de colisão e de ataque às resoluções das Nações Unidas.

Lembrei-me quando chamaram terrorista a Xanana Gusmão e a Nelson Mandela e da convicção do PSD para mandar Portugal para a guerra do Iraque porque tinham a convicção que lá se encontravam bombas de destruição maciça”, criticou.

Desde que a escalada de violência entre Israel e palestinianos começou há quase duas semanas, pelo menos 240 pessoas morreram, a grande maioria palestinianos, e outros milhares ficaram feridos.

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