A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) defendeu hoje “menos propinas, mais ação social e mais residências para os estudantes” do ensino superior, garantindo que não abandonará esta questão, sobretudo quando já se fala no próximo Orçamento do Estado.

Afirmando ter consciência de que acabar com as propinas em Portugal “poderia criar uma depressão demasiadamente grande” sobre o financiamento das instituições do ensino superior, Catarina Martins adiantou que “o BE vai continuar a insistir numa estratégia que baixe os custos das famílias”, mais ainda que há agora “um novo Orçamento [de Estado] pela frente”, bem como a preparação do próximo ano letivo.

Para Catarina Martins, “se nada for feito as propinas vão aumentar com a atualização da inflação".

“Numa altura em que se fala em melhores condições para o país do ponto de vista financeiro, a educação é seguramente essencial”, sublinhou a bloquista, para quem “não faz sentido” que Portugal seja um dos países da União Europeia onde os pais mais pagam para ter os filhos no ensino superior e um dos países com menos percentagem de licenciados.

Para Catarina Martins, esta situação “não tem sentido nenhum”, porque se Portugal quer ter um futuro precisa de mais pessoas qualificadas.

“Sabemos que precisamos de mais e não de menos ensino superior e, para isso, precisamos que as famílias gastem menos para que filhos tenham acesso [às instituições de ensino]”, disse.

Catarina Martins falava aos jornalistas no âmbito de uma visita que fez à cantina da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, juntando-se a um grupo de jovens do Bloco que ali distribuíam panfletos para “chamar a atenção sobre a necessidade efetiva de mudar as condições do ensino superior”.

Sobre as declarações recentes do ministro das Finanças alemão, que terá classificado Mário Centeno como o “Ronaldo do Ecofin”, a coordenadora do BE desvalorizou a questão, afirmando que “o que diz ou não diz” o ministro Wolfgang Schauble “não é verdadeiramente o que importa ao país”.

“Devemos saber quem puxa pela economia”, disse, porque “não puxa pela economia o que diz ou não diz o ministro das Finanças alemão”.