A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, alerta para as situações de abuso do trabalho imigrante em Odemira, e atira sobre falta de fiscalização e "cumplicidade inaceitável" das empresas.

Em entrevista a Miguel Sousa Tavares, esta segunda-feira, a bloquista alega que "já há muitos anos" que o partido visita Odemira, denunciado a situação em que "migrantes trabalham em condições penalizadoras". Ainda assim, lamenta: "Toda a gente fechou os olhos ao que se passa".

Há situações de abuso do trabalho imigrante", destaca.

Questionada se Odemira "é uma ilha no Estado de direito", a coordenadora do BE defende que "os deputados não são polícias" e, por isso, não podem entrar em propriedade privada. Ainda assim, Catarina Martins diz que já esteve nas estufas, onde testemunhou uma situação que considera "difícil".

Em causa, para a bloquista, está a falta de fiscalização e uma "cumplicidade" das empresas, que é "inaceitável". E também os gerentes têm de ser responsabilizados.

Muitas vezes não há empresa para processar", lamenta Catarina Martins.

Cimeira Social foi uma "profunda desilusão"

Catarina Martins analisou a Cimeira Social que classificou como uma "profunda desilusão", com "declarações vazias sobre o pilar social, sem nada de concreto".

Está-se a repetir agora o mesmo que se disse há quatro anos e não resultou em nada", considerou, acrescentando que o documento em debate na cimeira era "tímido".

Neste momento, a bloquista atira que a "bazuca" europeia é apenas dinheiro do próximo quadro comunitário, mas apresentado de outra forma.

Regras da União Europeia não são lei da física"

Acha uma vergonha que depois dos Panamá Papers não se tenha tirado nenhuma conclusão sobre as offshores e depois não se chegar a um acordo sobre a pobreza.

Já em relação às vacinas contra a covid-19, Catarina Martins considera "muito importante" que a Europa tenha investido, mas destaca que os contratos foram feitos de uma forma que dão todos os lucros às farmacêuticas e não para a universalização dos fármacos.

Não nos podemos vacinar só a nós. Ou vacinamos o mundo todo ou não nos livramos da pandemia", defende a coordenadora do BE.

Para Catarina Martins, é uma vergonha que a UE não acompanhe e argumenta que a OMS disse que há capacidade produtiva não aproveitada

Quebrar patentes não é fazer a vacina na cozinha", conclui.

Investimento? "Se a TAP não for pública, qualquer tostão é a mais"

Questionada sobre até quanto é que o contribuintes devem continuar a pagar a TAP, Catarina Martins entende que será apenas o "suficiente para manter uma companhia de bandeira que mantenha o interesse público". 

Se a TAP não for pública , qualquer tostão é a mais", reitera Catarina Martins.

"Espero que seja menos que os cinco mil milhões", destaca, mas frisa que não sabe quanto tempo é que a pandemia irá durar.

Estou muito preocupada com a TAP", admite.

Na entrevista, a bloquista atirou ainda sobre a comissão de inquérito do Novo Banco, numa alusão aos milhões gastos pelos contribuintes.

Porque é que pagamos aqueles milhões todos dos devores? Precisamos de um modelo na economia que produza riqueza no país, não ricos"

E destaca: o investimento público pode ser muito produtivo. Por essa razão, Catarina Martins propõe o investimento na habitação, porque as rendas "pagam-se sempre".

Rafaela Laja