O PCP reiterou esta quinta-feira a exigência de o Estado recuperar o controlo público do Novo Banco, responsabilizando os sucessivos governos de PSD/CDS e PS pela atual situação, e o BE apelou que “nenhum euro” seja desviado para este setor.

No período das declarações políticas da Comissão Permanente da Assembleia da República, o deputado comunista Duarte Alves recordou que o PCP agendou para 17 de setembro um diploma para recuperar esse controlo público, que passa “por converter toda a verba entregue [ao Novo Banco], desde a resolução até agora, em capital social”.

Se é o Estado quem paga as contas do Novo Banco, deve ser o Estado a controlar os seus destinos”, defendeu, considerando que não o fazer “é optar por continuar o escândalo e os desmandos e aventuras da atual administração”.

O deputado do PCP considerou que “o escândalo do BES continua com o Novo Banco”, com a “fraude que representou a resolução” decidida pelo Governo PSD/CDS e com a opção do PS de “privatizar a custo zero o Novo Banco entregando-o ao fundo abutre Lone Star”.

Duarte Alves salientou que, apesar de o PCP nunca ter feito da auditoria ao Novo Banco divulgada na semana passada “o alfa e o ómega” neste tema, defende que esta revelou “situações inaceitáveis”, como as “vendas ao desbarato de ativos” ou perdões de dívida a grandes grupos económicos.

Pode haver mais mil auditorias, discussões e inquéritos parlamentares, mas para o PCP não há qualquer dúvida de quem são os responsáveis políticos pelo que aconteceu no BES e está a acontecer no Novo Banco, nem sobre a absoluta necessidade de arrepiar caminho, e garantir que, já que o pagamos, possamos ter o banco na esfera pública e ao serviços do país”, defendeu.

Numa outra declaração política - que na Comissão Permanente não têm direito a réplica por parte de outros partidos, ao contrário do que acontece em plenário -, também o deputado do BE José Manuel Pureza se tinha referido à situação do Novo Banco (tema sobre o qual o partido já propôs um inquérito parlamentar).

Quando o país mais precisa de recursos para se organizar na resposta à crise pandémica e à imensa crise social e económica que está aí, a sangria de dinheiro público para limpar cambalachos do sistema financeiro não para”, criticou.

José Manuel Pureza considerou que esta “batota” tem contado com a anuência dos Governos e dos partidos da direita para “não faltar dinheiro público para a dita limpeza”, lamentando que quando é necessário reforçar os serviços públicos “nunca há dinheiro e exigi-lo é logo qualificado como impertinência ideológica”.

Pois bem, contra factos há argumentos e o argumento que aqui trazemos é simples e claro: que nenhum euro necessário para responder à crise, aos apoios sociais ou à saúde, seja desviado para continuar a alimentar a ganância do sistema financeiro”, apelou.

/ AG