A coordenadora bloquista assumiu, nesta quarta-feira, que quer que as negociações com o Governo sobre o Orçamento do Estado para 2022 "corram bem", mas recusa que o debate orçamental se faça “às décimas de défice”.

Em conferência de imprensa para apresentar as prioridades do BE nas negociações para o OE2022, Catarina Martins reiterou a ideia defendida no sábado que de não há avanços significativos nas conversações com o Governo socialista sobre o documento.

Nós queremos que [as negociações] corram bem, temos talvez esta diferença na forma como olhamos o problema”, respondeu aos jornalistas, quando confrontada com as declarações do primeiro-ministro, António Costa, que na terça-feira defendeu que o diálogo com parceiros parlamentares “está a correr bem”, mas não terminará nesta fase.

Veja também:

Segundo a líder do BE, é na parte da negociação “do que é estrutural e não pontual” que o partido tem “tido mais dificuldade”, sendo essa a área mais importante.

Eu teria algum cuidado com a ideia de que um orçamento se debate às décimas de défice. Isso já foi utilizado para fazer uma contração de despesa em Portugal que acabou por contrair a economia e aprofundar mais o défice do que estava esperado”, avisou, recordando que o mandato do antigo ministro das Finanças, Mário Centeno, passou por não executar despesa e depois alcançar um défice ainda menor do que o esperado.

Para a líder do BE, “talvez não seja bom” ter como indicador para o debate orçamental algo “que falha tanto e que diz tão pouco sobre a saúde da economia e sobre a saúde das contas públicas”.

Eu tendo a ter alguma calma quando se fala de impossibilidades. Acho que há sempre opções políticas e aqui o que nós falamos é de uma escolha política. queremos encontrar um regime que faça justiça a quem trabalhou mais de 40 anos ou não?”, referiu.

Questionada insistentemente sobre se esta questão das pensões é uma linha vermelha para o partido, Catarina Martins respondeu que o BE faz estas negociações sobre aquilo que acha que é importante.

O discurso sobre as linhas vermelhas é um discurso sobre intransigência negocial. Não há intransigência negocial, há objetivos e há prioridades e tem de ser uma prioridade em Portugal garantir pensões dignas quem tem mais de 40 anos de carreira contributiva”, apontou.

 

Agência Lusa / HCL