O Bloco de Esquerda garante que ainda há “bloqueios” na proposta do Orçamento do Estado para 2022 no que diz respeito a um acordo com o Governo.

Falando sobre as declarações do primeiro-ministro esta terça-feira, que afirmou que o diálogo com os outros partidos dos quais precisa para aprovar o OE2022 “está a correr bem”, o líder parlamentar bloquista, Pedro Filipe Soares, avisou António Costa do seu excesso de otimismo.

Ouvimos o primeiro-ministro dizer que estava otimista com as negociações. Parece-nos que essa é a sua veia otimista a vir novamente ao de cima. Ainda há muito trabalho para fazer. O otimismo do primeiro-ministro várias vezes mostrou não ter adesão à realidade, é preciso que haja consequência da parte do Governo."

Existindo "alguns pontos de bloqueio neste momento", os bloquistas esperam que estes "possam ser resolvidos". No entanto, alertam que têm detetado "algumas intransigências do Governo" com as prioridades deste partido.

Não temos todo o tempo do mundo, mas temos algum para para o Governo rever as suas posições."

Pedro Filipe Soares falava após uma reunião com o ministro das Finanças, João Leão, na qual o Governo está a apresentar aos partidos, um de cada vez, as linhas gerais do Orçamento, que tem de ser entregue até à próxima segunda-feira. 

O líder parlamentar do Bloco admitiu que esta reunião não foi "particularmente marcante" e que o Orçamento do Estado "ainda está em fase de construção".

"Não nos trouxe novidade nenhuma e não desbloqueou nenhum problema que está em cima da mesa", justificou, acrescentando que estão previstas reuniões "nas próximas semanas", ou seja, mesmo depois da entrega da proposta. 

Questionado sobre se admite ainda se sentar à mesa até segunda-feira com o Governo, para essa proposta agradar mais ao Bloco, Pedro Filipe Soares respondeu que o partido "tem toda a abertura" para se reunir com o Executivo sempre que este o deseje.

No entanto, alertou, que há "vários elementos definidores" para os bloquistas que ainda estão por concluir. 

Entre essas matérias definidoras, o líder parlamentar bloquista destacou a defesa dos jovens no mercado de trabalho, a garantia de direitos laborais, a defesa dos serviços públicos e os direitos "de quem teve uma vida inteira de trabalho".

Antes do Bloco de Esquerda, foi o PSD que falou aos jornalistas sobre a reunião com o ministro das Finanças, afirmando que saiu “mais preocupado” do que entrou, dizendo que nem sequer foi apresentado ao partido o cenário macroeconómico completo.

Catarina Pereira