A Comissão Política Distrital de Portalegre do PSD acusou hoje o Governo de ter "abandonado" a região, alertando que o serviço de urgências do hospital daquela cidade correu o “risco de encerrar” no dia de Natal.

Em conferência de imprensa, o presidente da Comissão Política Distrital, Cristóvão Crespo, considerou a situação “grave” e recordou que foi solicitado aos corpos de bombeiros da região para não transportarem doentes ao serviço de urgências daquele hospital em 25 de dezembro.

Cristóvão Crespo lembrou que foi “distribuída” uma mensagem por todos os corpos de bombeiros da região pelo centro de orientação de doentes urgentes (CODU) a referir que “não deviam” acorrer às urgências do hospital de Portalegre num determinado período do dia de Natal, Porém, a mensagem foi “apressadamente foi alterada” quando o PSD denunciou aos jornalistas, na véspera, a situação.

E mais apressadamente desmentida pela Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA) nos meios de comunicação social do distrito, infelizmente, porque a ULSNA devia ser a primeira a denunciar a falta evidente de meios, mas preocupou-se mais em tapar o sol com a peneira”, acusou.

O que levou o CODU Sul a ser contraditado pelo comando operacional distrital de Portalegre, ao enviarem duas mensagens contrárias para os corpos de bombeiros entre o final da tarde de dia 23 de dezembro e o final da manhã do 24 de dezembro, relativamente ao uso das urgências do hospital de Portalegre?”, questionou o líder social-democrata.

No decorrer da conferência de imprensa, o dirigente social-democrata apresentou documentos para comprovar a sua versão, num dos quais, datado do dia 23 deste mês, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) referia aos corpos de bombeiros a “impossibilidade” de a urgência do hospital de Portalegre receber doentes entre as 06:00 e as 20:00 do dia de Natal.

Num outro documento, com data de quinta-feira (24 de dezembro) e endereçado pelo "comando operacional distrital de Portalegre", esta estrutura "contradiz" a comunicação efetuada pelo INEM, sublinhou o PSD.

“Houve uma tentativa de manter esta situação em segredo, não sendo do conhecimento público”, alertou.

Contactado pela Lusa no dia 24 de dezembro, o presidente do conselho de administração da ULSNA, Joaquim Araújo, explicou que a urgência do hospital estava a funcionar “normalmente” e que a informação que o PSD reproduziu “não tem nada a ver” com a realidade.

O responsável explicou ainda que o serviço de obstetrícia não estava encerrado nesse período, apenas tinha um médico na escala, quando deveria ter dois, sendo as utentes deste serviço reencaminhadas, eventualmente por questões de segurança.

“O resto está tudo normal, não há mais nada aqui”, acrescentou na altura.

Também na quinta-feira, a Federação Distrital de Portalegre do PS acusou o PSD de escolher a época natalícia para “lançar uma mentira e o alarme social” ao denunciar que o hospital daquela cidade iria estar encerrado no dia 25.

“A Federação Distrital do Partido Socialista vem lamentar publicamente que o PSD tenha escolhido a data natalícia para divulgar uma mentira e lançar o alarme social, ao afirmar através das redes sociais que a urgência do Hospital de Portalegre irá estar encerrada no dia de Natal”, lê-se num comunicado enviado à agência Lusa.

/ BC