O ex-vereador da Câmara de Lisboa Manuel Salgado pediu a demissão da empresa municipal de reabilitação urbana (SRU) depois de ter sido constituído arguido num processo que envolve o Hospital CUF Tejo, aprovado quando era responsável pelo pelouro do Urbanismo.

Fui constituído arguido no âmbito de um processo cuja investigação incide sobre o impacto na paisagem do Hospital CUF Tejo, aprovado pelo plenário da Câmara Municipal de Lisboa, no decurso das minhas funções enquanto vereador do pelouro do Urbanismo e Reabilitação Urbana”, começa por escrever Manuel Salgado numa carta endereçada ao presidente da autarquia, Fernando Medina (PS), à qual a agência Lusa teve hoje acesso.

 

Por este motivo, venho pela presente [comunicação] apresentar a vossa excelência a demissão do cargo que atualmente exerço, de presidente do Conselho de Administração de Lisboa Ocidental SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana”, acrescenta.

O arquiteto considera no documento, datado de 12 de janeiro, que “este é o procedimento correto a adotar”, mas rejeita ter praticado “qualquer ato ilícito”.

“Será em sede própria, no momento oportuno e pelos meios que se encontram ao meu alcance, que me irei defender, repor a verdade dos factos e reagir contra atentados à minha honra e bom nome”, afirma.

Quando se demitiu, o vereador chegou a reconhecer numa entrevista que a volumetria do Hospital CUF Tejo, em Alcântara, era excessiva e que à data (2019) não o teria aprovado.

Manuel Salgado anunciou a demissão do pelouro do Urbanismo na Câmara de Lisboa, do qual era responsável desde 2007, em julho de 2019, tendo a sua saída sido efetivada em 07 de outubro do mesmo ano.

Dias depois de ter abandonado o cargo, a Câmara de Lisboa aprovou, com nove votos a favor e oito contra, a reeleição do arquiteto e ex-vereador do Urbanismo como presidente do conselho de administração da SRU.

Medina aceita demissão

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, anunciou que aceitou “com relutância e tristeza” a demissão do ex-vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, da presidência da SRU.

Fi-lo na compreensão dos motivos pessoais invocados, mas com a relutância e tristeza de saber que esta também não decorre de qualquer obrigação legal ou ética - muito menos do reconhecimento de qualquer incorreção - mas sim da profunda degradação que o debate no espaço público atingiu”, afirmou Medina na reunião privada da Câmara de Lisboa a decorrer por videoconferência desde as 10:00.

O ex-vereador da Câmara de Lisboa Manuel Salgado pediu a demissão da SRU, numa carta datada de 12 de janeiro e à qual a Lusa teve hoje acesso, depois de ter sido constituído arguido num processo que envolve o Hospital CUF Tejo, aprovado quando era responsável pelo pelouro do Urbanismo.

Numa nota de Fernando Medina (PS) para constar da ata da reunião camarária, o presidente do município explica que “o processo em concreto resultou de profundo trabalho técnico por variados departamentos municipais e foi sujeito a profundo escrutínio na decisão pelos competentes órgãos municipais”.

O presidente da Câmara de Lisboa nota que a autarquia “sempre colaborou de forma ativa” com o Ministério Público (MP) e salienta que, do acompanhamento do projeto por parte do MP, “não resultou qualquer decisão ou indicação de não prosseguimento da obra nos termos aprovados, nem qualquer indicação de necessidade de correção de qualquer desses termos”.

Medina defende que o ex-vereador do Urbanismo deixou uma “significativa marca de modernização e transformação” à cidade e reconheceu o seu trabalho.

A bem da nossa cidade, não dispensarei de continuar a contar com o seu conhecimento, experiência e conselho no pensamento e reflexão sobre os desafios com que estamos coletivamente confrontados”, refere ainda o presidente da câmara.

Manuel Salgado considera na carta dirigida a Fernando Medina que “este é o procedimento correto a adotar”, mas rejeita ter praticado “qualquer ato ilícito”.

Será em sede própria, no momento oportuno e pelos meios que se encontram ao meu alcance, que me irei defender, repor a verdade dos factos e reagir contra atentados à minha honra e bom nome”, afirma.

Quando se demitiu do cargo de vereador do Urbanismo na Câmara de Lisboa, Manuel Salgado chegou a reconhecer numa entrevista que a volumetria do Hospital CUF Tejo, em Alcântara, era excessiva e que à data (2019) não o teria aprovado.

O ex-autarca refere ainda na missiva dirigida a Fernando Medina que a decisão de sair da SRU é tomada “com mágoa” e talvez “não seja mesmo a decisão mais racional”.

Manuel Salgado critica a “politização da justiça”, advogando que os meios judiciais são “abusiva e erradamente utilizados como arma de arremesso político” e os “julgamentos na praça pública e a manipulação da informação criam um clima e uma cultura que afastam da causa pública que não esteja disponível para jogar este ‘jogo’”.

/ MJC