Pedro Passos Coelho acusou esta segunda-feira o Governo socialista de estar a fazer nomeações às escondidas, mas cerca de uma hora depois teve resposta do primeiro-ministro demissionário.

À chegada para um almoço-comício na Guarda, José Sócrates disse, em declarações aos jornalistas, que essa era uma «acusação gratuita», pois o Governo deixou simplesmente de fazer nomeações a partir do momento em que entrou em gestão.

«Demos orientações expressas para não haver nomeações em nenhuma área durante o Governo de gestão», disse Sócrates. Mas os socialistas não gostaram das acusações do líder social-democrata e, incomodados, preparam-se esta tarde para reagir mais uma vez à acusação. Esta tarde, o secretário de Estado e porta-voz do PS, Tiago Silveira, irá fazer uma conferência de imprensa dedicada às acusações de nomeações de Passos Coelho.

No Pavilhão do Inatel da Guarda, o secretário-geral socialista voltou à carga nas críticas às propostas de Pedro Passos Coelho ao «Estado Social», que não sai dos seus discursos de manhã à noite. «Tenho notado que o líder do PSD parece ter ficado incomodado com as críticas que tenho dirigido às suas propostas na área da saúde». Como exemplo, citou a obra feita no Hospital da Guarda que «agora não se trata de nenhuma quimera, agora trata-se de uma realidade». Repetiu muitos outros exemplos, como a passagem de «oito milhões de consultas para onze milhões» nos últimos seis anos.

Sobre a Educação, outra das bandeiras socialistas nesta campanha, Sócrates prometeu: «Vamos continuar a investir nas escolas porque essa é a garantia de um futuro melhor para o nosso país». E sem deixar de fora o tema das medidas sociais, o líder do PS gabou-se que, com ele no Governo, «ninguém fica para trás e, sinal disso mesmo, o complemento solidário para idosos veio tirar muita gente da pobreza extrema, com as estatísticas a comprovarem que a pobreza nessa faixa etária passou «dos 27 por cento para os 20 por cento», sublinhou.

No final, Sócrates insinuou que se o PS não alcançar a vitória, a direita «vai entregar tudo aos mercados». O pulsar da militância socialista na Guarda notou-se nos aplausos às palavras do primeiro-ministro demissionário, que contou neste almoço com a presença do presidente do partido, o histórico Almeida Santos. Mais para o final do dia, no comício de Viseu, é aguardada a presença de Correia de Campos, ex-ministro da Saúde socialista, que abandonou o Governo numa altura de contestação ao encerramento de vários centros de saúde pelo país e que actualmente desempenha funções de eurodeputado.

O cabeça de lista Paulo Campos, que acompanha desde manhã, em Seia, a pequena arruada pela cidade-sopé da Serra da Estrela. Um passeio que teve direito a bombos, pífaros e até a uma chuva de confetis que deixou toda a gente em clima de festa. Aqui na Guarda, acabou o seu curto discurso a gritar que «Sócrates é fixe, Sócrates é fixe!», numa tentativa de remake do slogan da campanha para as eleições presidenciais de 1986.

Notícia actualizada
Paula Oliveira