O Ministério da Educação vai reforçar a equipa de nutricionistas com a contratação de 15 profissionais no próximo ano letivo, segundo a bastonária da Ordem dos Nutricionistas que saudou a medida, apesar de “pecar por tardia”.

Alexandra Bento esteve hoje em reunião com o secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa, que assegurou que a tutela vai cumprir a contratação de 15 nutricionistas, prevista no Orçamento do Estado de 2020, adiantando ainda que o concurso público está pronto, encontrando-se neste momento na secretaria de Estado do Orçamento.

Certamente peca por tardio, porque se estava no Orçamento do Estado, este concurso devia ter sido encetado no início do ano e já estaríamos a aproveitar os nutricionistas”, lamentou a bastonária em declarações à Lusa, acrescentando, no entanto, que “mais vale tarde que nunca”.

Segundo a bastonária, ainda que a contratação dificilmente esteja concluída no inicio do ano letivo, estes profissionais vão ser essenciais para acompanhar e apoiar as escolas no cumprimento de uma estratégia para o funcionamento das cantinas que, para Alexandra Bento, a tutela deverá desenvolver.

Foi precisamente a necessidade dessa estratégia que esteve no centro do encontro, com a bastonária a entregar ao Governo um documento em que a Ordem dos Nutricionistas propõe um conjunto de orientações para o funcionamento das cantinas a partir de setembro.

Se uma estratégia para a alimentação das crianças nas escolas sempre foi necessária, agora, em período pandémico, consideramos que é urgente”, sublinhou.  

No documento que entregou ao Governo, a ordem desenha um conjunto de cenários que vão desde o funcionamento dos refeitórios com horários alargados, ao regime de ‘take-away’, definindo até medidas para o caso de as escolas voltarem a encerrar.

Em todos estes cenários, alerta, as escolas devem sempre assegurar refeições completas, equilibradas e seguras.

Este é um documento que foi feito por quem percebe da matéria e entregamo-lo ‘chave na mão’ ao Ministério da Educação”, disse, acrescentando que a ordem manifestou também a sua disponibilidade para colaborar na redação de um conjunto de normas oficiais para as escolas, com a expectativa de que possam ainda ser postas em prática pela equipa reforçada de nutricionistas do ministério.

Entre as medidas do guia “Alimentação escolar em tempos de covid-19”, que já tinha sido publicado na página da Ordem dos Nutricionistas, a instituição aconselha o alargamento do período de almoço e a distribuição dos alunos por diferentes horários, de maneira a assegurar o distanciamento social no espaço do refeitório, que deverá ter a lotação reduzida.

O ‘take-away’ deverá ser a opção das escolas apenas se estas medidas não forem possíveis, defende Alexandra Bento, defendendo que o primeiro é o cenário mais desejável, por ser “o mais próximo daquele que as crianças sempre vivenciaram”.

Caso o funcionamento dos estabelecimentos de ensino tenha de ser novamente interrompido, as cantinas não devem parar, acrescenta.

Neste caso, a ordem recomenda que as escolas informem os encarregados de educação sobre as alterações no fornecimento de refeições escolares, as opções disponíveis e o procedimento de requisição das refeições, que devem ser idênticas àquelas disponibilizadas em período normal.

/ JGR