O presidente do PS afirmou este domingo que há estabilidade política e social em Portugal, com "notícias encorajadoras" até da banca, enquanto a oposição está "depauperada" e Pedro Passos Coelho "tomado pelo diabo", sem que nenhum candidato a exorcista consiga mudá-lo.

Carlos César falava no início de um jantar com militantes socialistas na Guarda, segundo ponto do programa de três dias de Jornadas Parlamentares do PS, que serão encerradas pelo secretário-geral, António Costa, na terça-feira ao fim da tarde.

Na sua intervenção, o líder parlamentar socialista defendeu que Portugal vive uma conjuntura de "estabilidade política e social", um "tempo novo" num momento em que o Governo se prepara para ver aprovada pela Assembleia da República a sua segunda proposta de Orçamento do Estado.

Carlos César sustentou depois que o crescimento económico está a ser mais elevado do que o estimado pelas instituições europeias, que o investimento estrangeiro e o turismo registam aumentos significativos, que os indicadores de confiança estão em alta e que os mercados reagem com "tranquilidade" ao novo executivo nacional.

Nos últimos nove meses, de acordo com o presidente do PS, Portugal saiu do risco de sanções europeias, a execução orçamental de 2016 cumpriu as metas do Tratado Orçamental e chegam notícias "encorajadoras de uma banca abandonada pelo anterior Governo PSD/CDS-PP" (alusão ao BCP).

Além disso, apontou, a Comissão Europeia "deu aval ao Orçamento do Estado para 2017, pela primeira vez sem exigir medidas adicionais, ao mesmo tempo que foram criados 100 mil empregos líquidos, havendo menos 85 mil desempregados".

"Mas parece que há quem não esteja satisfeito com os resultados positivos que já tivemos. Estamos perante uma oposição desorientada, desolada, depauperada e sem sorte. A oposição não tem sorte porque a sorte que escolheu foi a má sorte do país", afirmou, recebendo palmas.

De acordo com Carlos César, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, "parece tomado pelo diabo e não há candidato a exorcista (seja ele Luís Montenegro, Santana Lopes ou Rui Rio) que não lhe explique que o mundo não é assim, que não pode atacar as estatísticas e que não pode atacar toda a gente".

"Ele não pode atacar o Governo, o Presidente da República, o Tribunal Constitucional e a Assembleia da República. Ele não pode atacar tudo e todos só porque o país está melhor do que ele queria. O pior é que ele ainda vai ficar mais endiabrado, porque o país ainda ficará melhor", considerou.

Já este domingo à tarde, Carlos César tinha acusado o líder social-democrata, Pedro Passos Coelho, de ser "um diabinho", considerando que lidera um partido "desorientado" e que não suporta que as coisas estejam "a correr bem" ao país.

Carlos César falava aos jornalistas após ter sido recebido na Câmara Municipal de Seia, depois de confrontado com as duras críticas feitas pelo presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, à "falta de pudor" do Governo, tanto no que respeita ao modo como conduziu o processo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), como em relação à decisão de apenas avançar com o aumento extraordinário das pensões em agosto, pouco antes das eleições autárquicas.

"O líder da oposição é um diabinho e não me parece que seja a pessoa adequada para falar de pudor. Penso que na oposição há uma desorientação evidente, em particular no PSD, porque não se suporta a ideia de que as coisas estejam a correr bem no país", reagiu o líder da bancada socialista.

Numa alusão à questão da Caixa Geral de Depósitos, Carlos César disse que o PSD "está agora ancorado em aspetos que julga estarem a correr mal".

Já sobre o tema do aumento extraordinário das pensões numa data próximas das eleições autárquicas de 2017 (o sufrágio não está ainda agendado, mas realizou-se sempre depois do verão), o presidente do grupo parlamentar do PS considerou "extraordinária" a posição atual dos sociais-democratas.

"O PSD, que andou durante estes meses a dizer que a Segurança Social estava à beira da falência, agora entende que deve haver aumentos todo o ano e que esses aumentos sejam ainda maiores do que aqueles que o Governo propôs", declarou Carlos César.

O presidente do PS defendeu depois que o partido "não governa nem por causa do presidente do PSD, nem para o presidente do PSD".

"O PS tem acordos firmados com partidos que apoiaram a investidura deste Governo [Bloco de Esquerda, PCP e PEV]. Temos uma política orçamental que tem sido definida em diálogo e em concertação com esses partidos. É nesse caminho que prosseguiremos", acrescentou o líder da bancada socialista.