O decreto de lei que prevê a nacionalização da TAP já está preparado e pode ser aprovado na quinta-feira em Conselho de Ministros, caso o Governo e os acionistas privados não cheguem a um acordo de última hora. O anúncio foi feito por Carlos César em declarações à TSF.

O presidente do Partido Socialista (PS) revelou que as negociações foram suspensas por falta de acordo, mas que o Governo está disponível para recuar e chegar a um acordo nas próximas horas. Caso contrário, disse Carlos César, o despacho de nacionalização segue quinta-feira para o Conselho de Ministros.

Foi feita uma proposta equilibrada e razoável. A reunião há pouco estava suspensa para uma última palavra sobre isso da parte dos sócios privados. Eu creio que nós como estamos, evidentemente, não podemos ficar", disse no programa da TSF "Almoços Grátis" .

 

A empresa tem de ser preservada, a nacionalização pura e simples deve ser evitada, devemos procurar reforçar a nossa posição na empresa, quer no capital, quer na gestão ao lado e com o capital privado. Julgo que é essa a linha negocial que tem sido seguida, e muito bem, pelo ministro Pedro Nuno Santos e pelo primeiro-ministro, o desenlace desse processo deverá ocorrer hoje, porque se não ocorrer hoje, se não houver possibilidade de acordo com os privados, o que há a fazer é aprovar amanhã em Conselho de Ministros o decreto de lei da nacionalização que já está preparado", acrescentou.

Até agora, os acionistas privados recusaram as condições estabelecidas pelo executivo de António Costa para emprestar 1.200 milhões de euros à TAP.

Na base da discórdia terá estado o empréstimo obrigacionista, que a companhia aérea Azul fez à TAP em 2016.

Na ótica do presidente do PS, é preciso fazer tudo por tudo para chegar a um acordo e considerou urgente definir uma solução ainda esta quarta-feira.

É preciso trabalhar durante o dia de hoje para a melhor das posições. E a melhor das posições é termos uma empresa mais forte, capitalizada com a presença mais influente do Estado e com o dinamismo que o capital privado sempre introduz numa parceria com o Estado".

O dirigente considera as próximas horas "decisivas" e que o cenário inverso a um acordo "será sempre penoso".

Cláudia Évora