Os vereadores do PSD e do PCP na Câmara de Lisboa afirmaram esta quarta-feira compreender a demissão de Carlos Castro por ter recebido a vacina contra a covid-19, enquanto o CDS-PP considerou que não faz "qualquer sentido".

Carlos Castro renunciou ao cargo de vereador da Proteção Civil na terça-feira, depois de ter sido vacinado contra a covid-19 quando foram administradas doses que sobraram dos lares.

Para o vereador do PSD João Pedro Costa, Carlos Castro “sempre esteve muito presente no terreno, até mais do que [o presidente da Câmara, Fernando] Medina, mas cometeu um erro numa matéria em que tinha de ser exemplar”.

Questionado pela agência Lusa, o social-democrata defendeu que “a ação pública tem de ser exemplar e não pode haver exceções nem pode haver incompetências”.

Os vereadores do PCP, por seu turno, dizem numa declaração escrita compreender e respeitar a decisão de Carlos Castro, acrescentando que percebem “o mal-estar que uma situação deste tipo possa ter gerado e as dificuldades que isso criou”.

O importante é que efetivamente existam vacinas para a população e que o plano de vacinação seja efetivamente claro, não sendo suscetível de interpretações dúbias e que seja levado à prática de forma rigorosa”, defendem.

Já João Gonçalves Pereira, vereador do CDS-PP, disse não acreditar “que faça sentido o pedido de demissão”, remetendo a sua posição para uma publicação que fez no Facebook.

Respeito, mas não me parece que faça qualquer sentido a demissão apresentada pelo vereador Carlos Castro. Sei que o Carlos foi visado em notícias da semana passada como tendo abusivamente beneficiado de uma vacina covid-19. Estranho, do que conheço da sua personalidade, que possa ter existido tamanho aproveitamento”, escreveu o centrista na sua conta daquela rede social.

Mas mais do que a estranheza, eu posso testemunhar e atestar que o vereador e os vários dirigentes municipais que foram vacinados estão desde março de 2020 na linha da frente do combate à pandemia e que naturalmente faz sentido serem vacinados ou terem prioridade na vacinação”, acrescentou.

A Lusa questionou também o gabinete do vereador do BE (parceiro de governação do PS), Manuel Grilo, mas o partido não quis comentar.

Na carta dirigida ao presidente da autarquia, Fernando Medina (PS), o vereador demissionário da Proteção Civil justificou a decisão com o “mal-estar em vários serviços do município” provocado depois de ter sido vacinado, considerando, assim, que não estavam reunidas as condições para continuar no cargo.

Por não querer que os serviços municipais percam o seu foco, porque ainda estamos num árduo combate, e não quero contribuir para uma situação de instabilidade interna, verifico não estarem reunidas as condições para permanecer em funções e, por isso, apresento a minha renúncia ao cargo”, afirmou Carlos Castro no documento, divulgado na sua página do Facebook.

O vereador demissionário salientou que “nunca quis beneficiar de nada, nem prejudicar ninguém”, reforçando que a sobra que lhe foi administrada foi “validada por um delegado de saúde”.

No dia 9 de fevereiro, a Câmara de Lisboa fez saber que, na sequência da vacinação em lares e residências para idosos, sobraram 126 vacinas, uma média de 18 por dia.

Dando cumprimento às determinações das autoridades de saúde, indicou então a autarquia, foram ministradas 26 doses das vacinas a elementos das equipas envolvidas diretamente da operação de inoculação nos lares, designadamente 15 enfermeiros e oito elementos da Proteção Civil municipal presentes no local da vacinação, entre os quais o vereador com a pasta respetiva, e também três elementos da Higiene Urbana, entre os quais a sua diretora, envolvidos no processo de recolha das seringas utilizadas na vacinação.

As restantes 100 sobras "foram ministradas a profissionais dos grupos constantes na primeira fase de prioridade definida" pela Direção-Geral da Saúde.

“Foram assim vacinados 56 bombeiros voluntários e o comandante e subcomandante do Regimento de Sapadores Bombeiros, e 42 elementos da Polícia Municipal, incluindo o comandante”, especificou a autarquia.

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