Carlos Moedas está confiante na governabilidade da Câmara de Lisboa, depois de ter sido eleito sem maioria e com o mesmo número de vereadores do candidato derrotado Fernando Medina.

Já falei com todos por telefone e os sinais que recebi da oposição é que estamos aqui para fazer o melhor para a cidade. Muitas das minhas medidas não são ideológicas e podem ter apoio", revelou o autarca social-democrata em entrevista ao jornal espanhol El País, nesta segunda-feira.

Moedas recordou as suas capacidades para negociar quando foi comissário europeu, lembrando ainda que conseguiu "construir pontes" da esquerda à direita.

Administrei o programa da Ciência com o apoio da esquerda e tenho a capacidade de construir pontes de uma forma que funcionou sempre bem para mim", sublinhou.

O fim de 14 anos de governação socialista foi algo em que o próprio sempre acreditou, mesmo que as sondagens nunca o tenham antecipado. 

Julgaram que eu não valia a pena, penso que me subestimaram. As pessoas querem gente diferente na política e eu represento essa mudança. Não estou a pensar em fazer um golpe baixo ao adversário, penso sim nas ideias e nos conteúdos. Os comentadores e as sondagens ainda valorizam os políticos que fazem política à maneira antiga", defendeu.

E para essa mudança contribuiu o facto, apontou, de ser "moderado" e de ter sempre recusado fazer alianças com partidos populistas, como o Chega.

Penso que é a primeira vez que é eleito um candidato moderado. A minha primeira condição foi não fazer alianças com populistas, porque não gosto de populistas e penso que o populismo está a matar a democracia. Os extremos não me interessam, estejam à esquerda ou à direita", assumiu.

Carlos Moedas, candidato da coligação "Novos Tempos", que juntou PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança, ganhou as eleições autárquicas com 34,26% dos votos, apenas mais 2.294 votos que o socialista Fernando Medina. Ambos conseguiram eleger sete vereadores, com as restantes vereações nas mãos de CDU (2) e Bloco (1).

Catarina Machado