Fundado em 2017, o Iniciativa Liberal concorre pela primeira vez às eleições legislativas depois de ter conseguido 0,9% dos votos nas eleições europeias de maio 2019. 

Com Carlos Guimarães Pinto como líder, o partido emergente tem tentado marcar a diferença na forma como apresenta as ideias e tornou-se viral ao clonar um cartaz do PS com uma mensagem ligeiramente diferente.

No dia de arranque da campanha, em Guimarães, a TVI24 falou com Rodrigo Saraiva, responsável de comunicação e fundador da Iniciativa Liberal, que explicou como o partido viu nos cartazes a forma de, "com muito pouco, se fazer muito".

Para Rodrigo Saraiva, o principal desafio de um partido emergente, "ao contrário dos partidos que já cá estão há décadas e cujo objetivo é a angariação do voto, não é a angariação de votos".

É que as pessoas conheçam, saibam que ele existe", afirma.

E para que isso aconteça, nada melhor do que criar burburinho onde, atualmente, estão todas as pessoas: as redes sociais. Só que, para o Iniciativa Liberal para chegar às redes sociais há que recorrer ao tradicional: os cartazes de beira de estrada.

Existem, hoje em dia, novas plataformas, as redes sociais, que os partidos podem utilizar para se darem a conhecer, mas isso não é suficiente. A imprensa tradicional, e principalmente a televisão, continua a cumprir um papel muito importante na passagem das mensagens e na notoriedade. Isso continua a ter um papel fundamental. E naquilo que também é a comunicação politica, os outdoors".

Mas, para que os outdoors (ou cartazes, se preferirmos o português) se destaquem, há que estudar não só o local onde vão ser colocados como a relevância dos conteúdos.

Só aparece nas noticias aquilo que é relevante e por isso temos que criar relevância nos nossos conteúdos. E desde o início que fazemos sempre o exercício: «como é que podemos fazer diferente?». Depois também acreditamos que os conteúdos cruzam-se e que isso podia servir via outdoors. E, portanto, o outdoor na rua cumpre o seu objetivo de passar a mensagem naquele local, mas nós quisemos ir mais além. Criar conteúdos de relevância, conteúdos de outdoor, para que depois nas redes sociais eles pudessem também ganhar relevância e virilização e pudesse chamar a imprensa", afirma Rodrigo Saraiva.

Apesar de tudo estar pensado ao pormenor, a fórmula não resultou à primeira. A primeira vítima da clonagem foi o Bloco de Esquerda e o seu cartaz sobre a saúde. Seguiu-se o cartaz do CDS para as Europeias, mas também sem grande sucesso. O pico da notoriedade só chegaria com o #Com Primos, a "trolagem" ao cartaz do PS às legislativas.

"O grande pico de notoriedade aconteceu com o trolanço #cumprimos do PS para o #com primos. Que teve um efeito de tal forma que é um cartaz colocado num sítio especifico – a regra do local – e há imensa gente que pensa que aquele cartaz está espalhado pelo país inteiro. E não está. É um cartaz num sítio específico. É todo um racional que está por detrás de um processo criativo para nos darmos a conhecer. Porque depois de nos darmos a conhecer acreditamos que a nossa mensagem é eficaz".

Uma campanha feita com cerca de 20 cartazes

Ao todo - clonagens incluídas - a equipa responsável pelos cartazes do Iniciativa Liberal criou cerca de 20 cartazes de raiz. A sua maioria são destinados a locais específicos, como é o caso dos cartazes de Dom Afonso Henriques, colocado em Guimarães, e de Dom Pedro IV, colocado no Porto. 

"Temos as setas dos salários e dos impostos, o do ano novo partido novo, o dos contribuintes, és liberal e não sabias, liberais em toda a linha, Europeias, Dom Afonso Henriques, Dom Pedro IV, a mão dos impostos, o programa da Alameda,  os trolanços, a Festa do Avante, o do NOS Alive e o do Fernando Pessoa. E temos mais um preparado para a próxima semana que achamos que vai dar muito barulho positivo".

Tudo começou então com um cartaz sobre os salários, onde o que distinguia aquele outdoor dos outros era a estética.

"O primeiro cartaz que nos colocámos, que foi no Marquês de Pombal em Lisboa e na rotunda da AEP no Porto, era já um cartaz que já inovava não só na mensagem, mas também no formato: tinha umas setas, uma espécie de uns gráficos e as setas saíam para fora da estrutura. E aí começamos a inovar".

Mas, apesar da vontade de inovar, os custos elevados do material fazem com que o partido reutilize os cartazes ao longo do país e que "quando um cartaz sai de um sítio seja colocado noutro".

"Mudamos os cartazes de local, reutilizamos o material ao máximo. Depois das Europeias mudamos um bocado a onda cromática porque outros começaram a fazer cartazes muito parecidos com os nossos em termos cromáticos e formato e nós tivemos que evoluir para fazer a diferenciação. No programa da Alameda evoluímos no formato: tem umas escadas e uma varanda e diz “aproxima-te das nossas ideias” para que as pessoas possam subir ao outdoor e ler o programa. Para quem diz que nós não temos propostas e ideias no programa, pusemos todas as propostas no cartaz para não haver dúvidas", finaliza.

Andreia Miranda