Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, lamentou esta terça-feira a decisão da juíza Maria Antónia Ribeiro, do Tribunal de Instrução Criminal do Porto, de o levar a julgamento no âmbito do caso Selminho, acusando-o de favorecer a imobiliária da família, da qual era sócio, em detrimento do município.

"Esta decisão não me deu nem tirou razão, pura e simplesmente remeteu a discussão para outro momento e para outros juízes", explicou Rui Moreira numa breve comunicação esta tarde. "É uma decisão que naturalmente lamento pois sei que acusação não tem qualquer fundamento."

No entanto, o autarca independente garante que esta decisão da juíza não muda absolutamente nada: "Nem na minha maneira de ver o processo, que continuo a entender ser completamente destituído de fundameno, nem na minha posição sobre o assunto em questão".

Rui Moreira reafirmou a sua inocência, recordando que os acontecimentos a que se refere o processo aconteceram antes da sua eleição como presidente da autarquia:

É absolutamente inequívoco que não tive qualquer participação em qualquer processo em que estivesse envolvida a minha família e não tomei, direta ou indiretamente, qualquer decisão que alterasse a posição do município em qualquer processo judicial", disse.

Lembrou que a relação do município com a sociedade Selminho teve início em 2006 e o processo judicial começou em dezembro de 2010, numa altura em que "nem sequer considerava" a hipótese de se candidatar à presidência da autarquia.

"Considero por isso um insulto e uma infâmia que eu pudesse ter beneficiado a minha família, tanto mais que como se sabe a minha família acabou por perder os seus terrenos a favor da Câmara, já durante o meu mandato", sublinhou.

Apesar de estes serem "tempos perigosos", Rui Moreira afirma:

Este processo não interferirá na avaliação da minha recandidatura à Camara Municipal do Porto. Isso seria uma traição a tudo o que acredito bem como àqueles que sempre me apoiaram e que têm estado ao meu lado."

"Desiludam-se pois os que pensam que este processo me afasta de continuar a lutar pela cidade que amo", disse. "Sou cioso da minha integridade e do meu bom nome, que tentam vilipendiar", disse Rui Moreira, recordando o seu pai, que hoje completaria o seu nonagésimo aniversário. "Aguantarei inabalável como o granito, pois acredito que a verdade prevalecerá e a justiça, estou certo, chegará um dia."
 

Maria João Caetano