A coordenadora do BE, Catarina Martins, registou hoje "a retirada de consequências políticas" de um "processo rocambolesco" como o roubo das armas de Tancos, mas considerou que a demissão do ministro da Defesa "não é a única resposta" necessária.

"Não há ninguém no país que não perceba a enorme gravidade de todo o caso do roubo de armas de Tancos e de todo o processo, até rocambolesco. Nós sempre dissemos que ele era bastante grave, o Governo parece agora retirar consequências políticas da gravidade deste caso", disse aos jornalistas Catarina Martins, que visita o Centro de Acolhimento Temporário para Refugiados, em Lisboa, quando foi conhecida a demissão de Azeredo Lopes.

O BE regista "a retirada de consequências políticas", mas a líder do partido fez questão de sublinhar que "há muitas perguntas sem respostas".

"E, portanto, eu julgo que uma demissão não é a única resposta de que precisamos neste caso, é preciso mesmo compreender o que se passou. Há uma investigação em curso e nós esperamos que o país possa ter as respostas que merece sobre um caso que tem toda a gravidade", defendeu.

“Passou a ser problema do primeiro-ministro”

O secretário-geral do PCP também já reagiu à demissão e afirmou que a polémica do furto de armas de Tancos e consequente demissão do responsável pela tutela, Azeredo Lopes, "passou a ser problema" do chefe do Governo.

"Queria aqui afirmar que não conhecemos os fundamentos que levaram à demissão do ministro. Passou a ser um problema do ministro da Defesa e, naturalmente, do primeiro-ministro, como principal responsável do Governo", disse Jerónimo de Sousa.

O líder comunista respondia a jornalistas, após uma sessão dos "Colóquios (Re)Partidos", organizados pelo Conselho Nacional de Juventude (CNJ) junto das diversas forças políticas, desta feita no centro de trabalho Vitória do PCP, em Lisboa, e imediatamente depois de se saber da saída do Governo de Azeredo Lopes.

Jerónimo de Sousa sublinhou ser "prudente aguardar para conhecer os fundamentos que levaram a tal decisão".

O secretário-geral comunista afirmara, há dias, que o PCP não condena nem absolve ninguém prematuramente, referindo-se ao Ministro da Defesa e ao Chefe do Estado-Maior do Exército, quando questionado sobre a polémica do furto de armamento dos paióis nacionais de Tancos, posterior reaparecimento e eventual encobrimento por parte da Polícia Judiciária Militar e da Guarda Nacional Republicana.

PEV defende que Governo deve "explicar a razão efetiva" da demissão do ministro

Quem também já reagiu foi o partido ecologista Os Verdes (PEV) que defendeu que o Governo deve "explicar a razão efetiva" da demissão do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, na sequência do caso do furto e reaparecimento de armas dos paióis de Tancos.

"Os Verdes consideram que se Azeredo Lopes entendeu que não tinha mais condições para se manter no cargo é justificada a sua demissão. O Governo deve, contudo, explicar a razão efetiva dessa demissão designadamente tendo em conta que o primeiro-ministro várias vezes reiterou a confiança no ministro da Defesa", lê-se num comunicado enviado às redações após da demissão de Azeredo Lopes.

Sobre a investigação em curso ao furto e recuperação do armamento, "Os Verdes reafirmam a necessidade de o processo judicial decorrer e de se apurarem todas as responsabilidades criminais, agora em segredo de justiça".