A coordenadora do BE, Catarina Martins, considerou que a posição conjunta assinada com o PS "não deve ser revista e tem que ser cumprida", mas antecipou a possibilidade de os bloquistas colocarem outros temas em cima da mesa.

No final da Mesa Nacional do BE, que hoje reuniu em Lisboa, Catarina Martins foi questionada pelos jornalistas sobre a entrevista à agência Lusa do primeiro-ministro, na qual António Costa disse não sentir necessidade de rever a declaração conjunta PS/Bloco de Esquerda.

A posição conjunta não deve ser revista, foi um compromisso que foi feito com um horizonte e tem que ser cumprida", disse a coordenadora do BE.

Mas porque "a vida não fica congelada no momento da assinatura do acordo", Catarina Martins assegura que o BE não deixa "de colocar outros temas em cima da mesa".

Quando é necessária a resposta, o país deve-a dar. O BE nunca ficará confortavelmente a dizer que tudo o que vale foi o que foi assinado há um ano à medida que o mundo e o país também avançam", reiterou, no dia em que o Governo socialista cumpre um ano de mandato.

O aprofundamento que o BE pretende "quer do ponto de vista laboral quer do ponto de vista da proteção de Portugal dos choques externos que aí vêm" não é, segundo Catarina Martins, "uma reescrita da posição assinada há um ano", mas o debate que deve ser lançado no país para continuar a ter um caminho de recuperação de rendimentos e de proteção do emprego em Portugal.

A líder do BE disse haver "muitas outras matérias em que é preciso ir além da posição conjunta inicial".

O BE não tem dúvidas: se queremos preparar Portugal para os choques externos que aí vêm, se queremos proteger a nossa economia e o nosso emprego, questões como a reestruturação da dívida têm que começar a ser discutidas de uma forma mais intensa e como sabem não constam da posição conjunta", avisou.

Catarina Martins recordou ainda que "há matérias da posição conjunta que ainda foram cumpridas e de que o BE não abdica", prometendo continuidade de trabalho para que estas sejam cumpridas, dando o exemplo da reposição dos escalões de IRS e também a progressividade das carreiras da função pública.

A líder bloquista realçou ainda que o partido tem "dado provas de que é sempre possível ir mais longe do que foram as posições conjuntas", dando o exemplo do aumento extraordinário das pensões que foi colocado neste orçamento.

Matérias muito importantes que estão hoje em debate, como haver patamares mínimos de aumento de salário mínimo ao longo desta legislatura estão precisamente nessa posição conjunta e o BE leva muito a sério cada um dos pontos dessa posição conjunta", reforçou.