A líder do Bloco de Esquerda (BE) avisou este domingo que o partido será "muito exigente" em "qualquer medida que ataque as condições de vida", e "nunca faltará" a uma maioria parlamentar para "repôr salários e pensões" em Portugal.

Vamos ter um Orçamento do Estado e o BE nunca faltará a uma maioria para repor salários e pensões e será muito exigente e determinado em qualquer medida que ataque as condições de vida neste país. Toda a gente sabe que pode contar com essa força do BE", disse Catarina Martins.

Em declarações aos jornalistas durante uma visita à secular feira da vila de Castro Verde, no distrito de Beja, no Alentejo, Catarina Martins garantiu que o BE, na próxima legislatura, "fará o que sempre fez com a mesma determinação e a mesma exigência".

Cá estaremos para uma legislatura que possa lutar por salários, pensões, serviços públicos de qualidade em todo o território e por uma economia que seja mais justa, menos desigual. O BE não se vai desviar um milímetro da luta pelas condições de vida concretas de quem trabalha e de quem trabalhou toda uma vida neste país", frisou.

Questionada sobre o que vai ser mais difícil na relação entre o BE e PS, Catarina Martins respondeu: "Veremos o que vai acontecer".

"Temos agora que discutir uma série de dossiês", frisou. Sublinhou que o BE "acha que é muito importante" a regulamentação da lei de bases da saúde e da habitação, mais o estatuto dos cuidadores informais. E acrescentou: "Vamos ter um Orçamento do Estado".

De visita ao Alentejo, a líder do BE criticou a monocultura intensiva do olival e do amendoal, e defendeu que deve ser dada "prioridade ao desenvolvimento da agricultura extensiva".

O Alentejo tem tido um modelo de desenvolvimento que está errado", porque "tem existido a ideia de que a monocultura intensiva pode ser a resposta para todos os problemas", mas "não é", disse.

Segundo Catarina Martins, a monocultura intensiva "tem sido um problema para o Alentejo -- os solos, a água, a biodiversidade -- e também para o rendimento das pessoas, e só tem provocado o despovoamento".

A monocultura intensiva não tem trazido emprego, nem povoamento ao Alentejo e está a estragar os solos e a água, e é um ataque à biodiversidade", alertou.

"Pelo contrário", defendeu, "uma agricultura extensiva, que seja ordenada e apoiada", é "uma resposta para o desenvolvimento do Alentejo e do país, com emprego, rendimento para quem trabalha, respeitando ao mesmo tempo o ambiente, os solos, a água e a biodiversidade".

Catarina Martins defendeu que "precisamos de fazer uma opção de economia clara, forte, na agricultura extensiva", porque "pode criar trabalho, estar ordenada, ser ambientalmente responsável e, ao mesmo tempo, respeitar as comunidades".

 

No BE, não estamos dispostos a resignarmo-nos ao declínio do interior", disse, referindo que, "pelo contrário, precisamos de um país que possa todo ele desenvolver-se de uma forma equilibrada".