A coordenadora nacional do BE defendeu esta segunda-feira em Espinho que o Governo deve proceder rapidamente à contratação de mais pessoal para as escolas de forma a assegurar a execução de tarefas adicionais impostas pelo atual contexto pandémico.

À margem de um encontro com profissionais das salas de jogo em Espinho, no distrito de Aveiro, Catarina Martins disse que "as escolas têm feito um trabalho extraordinário" e realçou que tanto professores como pessoal não-docente se têm "desdobrado em tarefas, mas precisam de ajuda".

É para nós incompreensível que o Governo ainda não tenha iniciado um processo expedito de contratação de mais pessoal para as escolas", declarou.

Para a líder do BE, os profissionais atualmente em funções nos estabelecimentos de ensino estão sobrecarregado com afazeres relativos não apenas a questões letivas, mas também ao controlo da covid-19, o que representa uma carga laboral extra que não se verificava antes da pandemia e que é agravada pelo facto de uma significativa parte desses recursos humanos estar atualmente em baixa médica por pertencer a grupos sujeitos a maior risco de contágio.

As escolas já não tinham pessoal suficiente antes da pandemia; com a pandemia, multiplicam-se as tarefas e o pessoal é cada vez menos. [Os profissionais existentes] Estão a assegurar ao mesmo tempo ensino presencial, ensino não-presencial, organização de testes. É um trabalho infindável para escolas quase sem pessoal", argumentou.

Salientando que o BE já vem alertando para essa carência de recursos humanos desde o verão de 2020, Catarina Martins acrescentou que o Governo precisa igualmente de dar resposta a outras falhas, o que passa por "acelerar compromissos como o rastreio de testes à covid-19" e por garantir os meios necessários para viabilizar o ensino online.

As escolas têm um trabalho imenso a fazer de recuperação de aprendizagens, porque este tempo [de confinamento] foi muito duro para as crianças e os jovens, e precisam de mais auxiliares e administrativos, para organizar todos os processos burocráticos complicados dos rastreios, vacinações, etc... Precisam até de meios informáticos", justificou.

Catarina Martins recordou, aliás, "que os computadores chegam às escolas sem nenhum 'software' e que elas têm que arranjar maneira de tornar aquela máquina em algo que as crianças e os jovens possam usar".

É por esses diferentes aspetos que Catarina Martins apelou para que haja "uma enorme contenção e respeito por este momento" de regresso parcial às aulas presenciais. "A alegria das crianças hoje ao chegar às escolas deve ser também a medida da nossa responsabilidade, para que elas não voltem a fechar", concluiu.

/ HCL