A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) disse hoje ver "muita gente com vontade de ter uma crise", mas "poucas pessoas concentradas" na solução para os motoristas, que disse passar por "um novo contrato coletivo" de trabalho.

Tenho visto toda a gente com muita vontade de ter uma crise e tenho visto poucas pessoas concentradas no que importa", que "é garantir que estes trabalhadores têm um contrato coletivo de trabalho segundo o qual a sua remuneração seja digna e com descontos para acautelarem a sua carreira contributiva", disse Catarina Martins em Mação, no distrito de Santarém.

Catarina Martins falava à margem de uma visita de trabalho a algumas das áreas ardidas naquele município, na sequência dos fogos florestais do passado mês de julho.

Em vez de estarmos a criar crise, era bom estar toda a gente a fazer a negociação necessária para a solução do problema, que é um novo contrato coletivo de trabalho", acrescentou.

Questionada sobre a declaração de crise energética face à greve dos motoristas de mercadorias convocada para segunda-feira, Catarina Martins disse que "o Governo terá de fazer o que for fundamental para o país funcionar em setores essenciais", e "compreender" que haja "medidas fundamentais que têm de ser tomadas num setor tão sensível".

No entanto, disse ver "algumas medidas que parecem claramente exageradas face às necessidades".

O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José António Vieira da Silva, anunciou hoje que o Governo declarou crise energética e afirmou que o direito à greve não é ilimitado.

O governante acrescentou que os serviços mínimos podem ser mais extensos em relação à greve dos motoristas.

Os serviços mínimos podem e devem ser mais extensos, levando à normalidade do funcionamento", disse Vieira da Silva, em conferência de imprensa, precisando que se impõe "um possível alargamento de serviços mínimos, com diferenciação dos serviços normais".

De acordo com Vieira da Silva, cabe ao Governo proteger o interesse dos cidadãos portugueses, através da requisição civil.

Este é um conflito entre privados. Compete ao Governo criar condições para a sua superação, mesmo não sendo o Governo parte deste conflito", frisou Vieira da Silva, acompanhado na conferência de imprensa pelo ministro da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes.

Os sindicatos Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e Independente de Motoristas de Mercadorias (SIMM) marcaram uma greve, que começa na segunda-feira, por tempo indeterminado, acusando a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) de não querer cumprir o acordo assinado em maio.

Os representantes dos motoristas pretendem um acordo para aumentos graduais no salário-base até 2022: 700 euros em janeiro de 2020, 800 euros em janeiro de 2021 e 900 euros em janeiro de 2022, o que, com os prémios suplementares que estão indexados ao salário-base, daria 1.400 euros em janeiro de 2020, 1.550 euros em janeiro de 2021 e 1.715 euros em janeiro de 2022.

Também se associou à greve o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN).

O advogado do SNMMP, Pedro Pardal Henriques, disse na quarta-feira que os plenários de trabalhadores no sábado são a "última oportunidade" para a Antram apresentar uma proposta que cancele a greve dos motoristas.