A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defendeu, esta quarta-feira, que "ninguém está a acabar" com os privados e o setor social na saúde, e assinalou que a questão principal é saber onde é gasto o dinheiro público.

Eu tenho ouvido discussões bastante absurdas sobre este tema, e eu queria lembrar o seguinte: o que está em causa não é saber se acabam os privados ou o setor social na saúde, ninguém está a acabar com eles, o que está em causa é saber onde é que é gasto o dinheiro público", afirmou Catarina Martins.

Falando aos jornalistas à porta da sede nacional do partido, à margem do desfile que assinala o Dia do Trabalhador, em Lisboa, a líder bloquista lembrou que "a Lei de Bases da Saúde vai ser votada na especialidade esta semana".

A posição do Bloco de Esquerda é clara", referiu Catarina Martins, considerando que "até há pouco tempo havia mais posições claras, o Partido Socialista estava de acordo, o PCP também, era preciso defender o Serviço Nacional de Saúde (SNS) da sangria dos privados".

Porém, na ótica da líder, "o Governo e o Partido Socialista estão com dificuldades de explicar a sua posição aos seus próprios militantes".

Para o BE, o importante, "e que foi o apelo de António Arnaut para salvar o Serviço Nacional de Saúde, é que onde o Serviço Nacional de Saúde dá resposta, não deve dar o dinheiro aos hospitais privados, e que as PPP [Parcerias Público Privadas] devem acabar, porque é uma forma de pôs os concorrentes privados dentro do SNS a fragilizar o SNS".

Respondendo a "quem diz que é coisa pouca", a coordenadora do BE apontou "que as PPP levam cerca de 500 milhões de euros ao ano, que nesta legislatura levaram dois mil milhões de euros".

Dois mil milhões de euros para grupos de hospitais privados nacionais e internacionais que foram para esses grupos, em vez de estarem no Serviço Nacional de Saúde. Ficamos sossegados com isso? Eu acho que não", frisou.

PCP: é preciso "separar as águas" para não se transformar a saúde "numa área de negócio" 

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu, esta quarta-feira, ser necessário "clarificar e separar as águas" entre o Serviço Nacional de Saúde e os grupos privados, sob tema de se transformar "um direito tão sensível numa área de negócio".

Falando aos jornalistas à margem do desfile que assinala o Dia do Trabalhador, em Lisboa, o líder comunista assinalou que, na discussão da nova Lei de Bases da Saúde, o partido apresentou "um projeto de Lei" e tem "propostas concretas" nesta área.

Pensamos que a questão central que está colocada é conseguir clarificar e separar as águas em relação ao Serviço Nacional de Saúde, geral, universal, gratuito e de qualidade, e não transformar uma área tão sensível, um direito tão sensível numa área de negócio", salientou, advogando que "esta promiscuidade com o privado não pode ser, tem que haver essa clarificação".

Segundo Jerónimo de Sousa, é por isso que o PCP se bate "pelo fim das PPP" (Parcerias Público Privadas).

Considerando serem "precisos avanços e clarificação" no que considerou ser a "promiscuidade entre público e setor privado", o comunista pediu que "não se adiem essas medidas urgentes e mais emergentes para tantos portugueses que sofrem com esses atrasos", notando que "a discussão da Lei de Bases é necessária".

Jerónimo sustentou que a aprovação da nova lei "não impede que sejam tomadas medidas de emergência, tendo em conta a situação em que se encontram muitos utentes carenciados de meios, carenciados de profissionais, carenciados de financiamento".

Não há nenhuma norma impeditiva com esta Lei de Bases que está em vigor", rematou.