A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) admitiu este sábado que a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa nas presidenciais de domingo pode ser explicada com a transferência de votos do eleitorado da esquerda para o atual Presidente.

Os eleitores socialistas e dos “partidos à esquerda do PS” foram “a força que quis esta estabilidade de uma vitória folgada à primeira volta de Marcelo Rebelo de Sousa”, disse Catarina Martins no final de uma reunião da Mesa Nacional, o principal órgão do BE entre convenções, para analisar os resultados das presidenciais.

Para a líder bloquista, as explicações não são simplistas, mas sim “o que dizem os números”, ou seja, que Marcelo Rebelo de Sousa teve mais 100 mil votos do quem em 2016.

Numas eleições, sintetizou, em que votaram menos 500 mil eleitores e em que os candidatos do campo da esquerda “somaram menos 700 mil votos do que há cinco anos” e os de direita viram aumentar o número de votos.

É uma mudança que, admitiu Catarina Martins, deve levar a “uma reflexão” sobre o que significa a vitória de Marcelo que não é só o “garante de estabilidade no meio de uma pandemia”, mas também a garantia, por exemplo, que “não vai mudar a lei laboral” e as suas “normas gravosas” do tempo da ‘troika’.

Catarina Martins e a Mesa Nacional reconheceram que a candidatura a Belém de Marisa Matias "não alcançou os resultados que o BE desejava e esperava" e saudaram a campanha que fez em "condições políticas muito complicadas", centradas no tema da pandemia e num "cenário de reconfiguração da direita" com a subida da "ultra direita", de André Ventura, do Chega.

Marcelo Rebelo de Sousa, com o apoio do PSD e CDS, foi reeleito Presidente da República nas eleições de domingo, com 60,70% dos votos, segundo os resultados provisórios apurados em todas as 3.092 freguesias e quando faltava apurar dois consulados.

A socialista Ana Gomes foi a segunda candidata mais votada, com 12,97%, seguindo-se André Ventura, do Chega, com 11,90%, João Ferreira (PCP e Verdes) com 4,32%, Marisa Matias (Bloco de Esquerda) com 3,95%, Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal) com 3,22% e Vitorino Silva (Reagir, Incluir e Reciclar - RIR) com 2,94%.

A abstenção foi de 60,5%, a percentagem mais elevada de sempre em eleições para o Presidente da República.

/ AG