A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defendeu, neste sábado, "o aprofundamento" dos mecanismos que permitem uma maior transparência na banca para o país ser mais forte no combate à corrupção e ao crime económico.

Instada a comentar a notícia de hoje do jornal Expresso, que revela que foi a Caixa Geral de Depósitos que denunciou o antigo primeiro-ministro, José Sócrates, e motivou a investigação do processo Operação Marquês, Catarina Martins destacou que “foram os fatores de alerta sobre transferências nas contas que permitiram despoletar uma investigação que é tão importante”.

O BE há 20 anos que luta por todos os mecanismos para haver mais transparência na banca, para haver mais investigação, mais cruzamento de dados e, na verdade, tivemos alguns passos no avanço neste tipo de comunicações e prova-se que tínhamos razão”, disse aos jornalistas, à margem do “Encontro do Interior 2019”, realizado pelo Bloco de Esquerda e que decorreu em Alijó, no distrito de Vila Real.

Catarina Martins lembrou que, durante muitos anos, quando o Bloco falava “sobre este mecanismo de saber mais o que se passa dentro da banca, de conhecer, de ir ao rasto do dinheiro para combater a corrupção e o crime económico”, ouviu "tantas vezes" dizer “que isso não se podia fazer, que isso era um ataque à privacidade”.

Vê-se que não. Que os instrumentos que foram implementados ao longo dos anos e que permitem seguir o rasto do dinheiro são importantes para combater a corrupção e o crime económico. Se já aprendemos isso, então temos de fazer tudo o que falta porque podemos seguramente aprofundar estes mecanismos para sermos ainda mais fortes no combate à corrupção e ao crime económico.”

Projeto de lei para renacionalização dos CTT

Catarina Martins anunciou, ainda, que vai dar entrada na segunda-feira, na Assembleia da República, um projeto de lei para a renacionalização dos CTT.

O BE aproveitou o “Encontro do Interior 2019”, para apresentar o projeto para os CTT justificando que nacionalizar os correios “é defender os serviços públicos, é defender também o Interior”.

O projeto de renacionalização dos CTT que o BE apresenta é um projeto que prevê claramente a avaliação do que foi feito, do cumprimento ou não da concessão, do que aconteceu na empresa, para que se possa responsabilizar pelas decisões que foram lesivas, que contrariam o contrato de concessão e que destruíram a empresa”, afirmou Catarina Martins, que falava à margem do encontro.

O primeiro-ministro, António Costa, disse na sexta-feira que o Governo vai esperar até ao final do contrato da concessão do serviço postal nacional, em 2020, para avaliar a forma como a empresa tem executado as suas obrigações e depois decidir se retoma a gestão dos CTT.

Ora aí será tarde demais. Quando o contrato de concessão acabar já o Estado tem de ter uma solução para os CTT, se ficamos à espera vai continuar na mão dos privados e, portanto, o BE apresenta um projeto de lei na AR para nacionalizar os CTT e para avaliar das perdas que o Estado teve com o comportamento dos CTT, que não tem cumprido as obrigações do serviço público, como o próprio regulador tem vindo a dizer”, salientou a coordenadora bloquista.

Segundo Catarina Martins, desde que a empresa foi privatizada “já encerraram mais de 80 balcões em todo o país e as populações do Interior têm sido particularmente penalizadas”.