A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, considerou hoje que a campanha eleitoral “não permite que haja achismos sobre matérias tão graves" como o caso de Tancos e sustentou que “ninguém está acima da lei”.

Acho que há acusações que são de tal forma graves, que não são de achismo. Perguntarem-me se eu acho que o primeiro-ministro cometeu crime de desobediência qualificada ao responder à comissão de inquérito [de Tancos] não é matéria para achismos. Estas coisas têm de ser tratadas de uma forma séria. Acho que a campanha eleitoral não permite que haja achismo sobre matérias tão graves e que a justiça tem de fazer o seu caminho”, disse aos jornalistas Catarina Martins.

No final de um encontro com ajudantes familiares da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que estavam a recibos verdes e passaram esta semana a ter vínculo laboral, a coordenadora do BE voltou a ser questionada sobre o despacho do Ministério Público (MP) que acusa 23 arguidos no caso do furto e recuperação do material de guerra de Tancos.

Catarina Martins sublinhou que “Portugal é uma democracia e uma república e ninguém está acima da lei”, acrescentando que o BE tem tido “a mesma posição desde o princípio”, tendo o Ministério Público dado razão ao Bloco nas conclusões que tirou da comissão de inquérito de Tancos.

Quando as coisas são graves e sérias devem ser tratadas da forma responsável que exige o momento”, afirmou, reafirmando que o BE vai continuar a pronunciar-se sobre a acusação do MP, mas “Tancos não é o único assunto do país”.

Catarina Martins considerou também que a acusação do MP é “muito grave” e merece “uma reflexão”, no entanto, frisou que se pode falar de Tancos e das propostas que o BE tem para o país nas mais variadas áreas.

“Não podemos não falar de um caso que é grave, mas seguramente nas eleições têm também os partidos com a responsabilidade de apresentarem o que querem fazer para o país para que o voto no dia 06 seja um voto informado“, disse ainda.

O Ministério Público acusou esta semana 23 pessoas, entre elas o ex-ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, suspeito de envolvimento numa operação encenada pela PJM para a recuperação do material furtado, mediante um acordo de impunidade aos autores do furto.

Os arguidos são acusados de crimes como terrorismo, associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, abuso de poder, recetação e detenção de arma proibida.