O Presidente de Portugal, Cavaco Silva, disse esta sexta-feira em Maputo que a atuação da CPLP permitiu colocar na agenda internacional a «necessidade e urgência» da condenação do golpe de Estado de abril na Guiné-Bissau.

Cavaco Silva fez uma análise positiva da postura da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) em relação ao golpe militar que depôs o Presidente interino e o Governo da Guiné-Bissau, falando na IX Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da organização, que decorre hoje em Maputo.

«Foi atuando neste quadro de referência e de forma solidária que soubemos prestar auxílio ao país irmão da Guiné-Bissau, trazendo para a agenda internacional a necessidade e a urgência da condenação do golpe militar de 12 de abril por parte dos nossos parceiros bilaterais, União Africana, da União Europeia e do Conselho de Segurança das Nações Unidas», sublinhou o chefe de Estado português.

Cavaco Silva assinalou que os estados da CPLP têm uma responsabilidade acrescida, no plano internacional, na defesa e difusão dos princípios fundadores da comunidade, nomeadamente a paz, o Estado de Direito democrático, os direitos humanos e o desenvolvimento económico-social.

«Não tenhamos dúvidas: a nossa união e coerência, no seio da CPLP, tem tornado cada um dos nossos países mais forte, tanto no contexto regional, como no plano internacional. A força da nossa comunidade reflete-se assim, em cada estado-membro, sendo simultaneamente, ela própria uma força credível», frisou o Presidente português.

Cavaco Silva apontou Timor-Leste como exemplo de sucesso de consolidação de um estado pelo sentido cívico e maturidade eleitoral com que realizou em apenas um ano dois processos eleitorais.

«O sucesso do processo de consolidação do Estado timorense, que só este ano atravessou, com sentido cívico e elevada maturidade política, dois processos eleitorais, prestigia a CPLP e constitui um exemplo para o mundo», realçou o chefe de Estado português.