O Presidente da República recebe esta quinta-feira o líder do PSD e na sexta-feira terá com o primeiro-ministro a habitual reunião semanal, numa altura em que o cenário de crise política é cada vez mais colocado pelos partidos, escreve a Lusa.

A audiência do líder do PSD com o chefe de Estado foi pedida na segunda-feira pelo próprio Pedro Passos Coelho, três dias depois do Governo ter anunciado novas medidas de austeridade no âmbito do Plano de Estabilidade e Crescimento, chamado como PEC 4.

O encontro entre Pedro Passos Coelho e Cavaco Silva acontece dois dias depois do líder do PSD ter feito uma das mais duras intervenções contra o executivo de José Sócrates, onde disse que «a peça de teatro chegou ao fim» e pediu ao Governo para não «fingir mais» e deixar outros fazer o trabalho, caso não o queira fazer.

«Chegámos ao fim, isto não pode continuar assim», afirmou na terça-feira à noite, durante a apresentação do livro «Voltar a Crescer - 55 empresários e gestores, 365 soluções».

Nesse discurso, Pedro Passos Coelho acusou ainda o Governo de «deslealdade e falta de respeito pelo país» por ter ocultado as medidas que estava a negociar com Bruxelas no âmbito do PEC 4 e, apesar de reconhecer que Portugal enfrenta «dificuldades sérias», defendeu que as medidas de emergência têm de ser justas porque quando isso deixa de acontecer passam a ser «ilegítimas».

O líder social-democrata recusou ainda a tese do executivo de que está a propor mais medidas de austeridade por «uma razão de precaução», argumentando que ninguém «põe um país a pão e água por razão de precaução».

Na mesma noite, já depois da intervenção do líder social-democrata, o primeiro-ministro admitiu que se o Parlamento aprovar uma moção contra o novo PEC, isso significa a abertura de uma crise política com consequências «terríveis» para Portugal.

«Se a Assembleia da República decidir uma moção contra o PEC, isso significa que o país não está em condições de se comprometer internacionalmente, nem o Governo está em condições de se comprometer internacionalmente. Isso significa, do meu ponto de vista, uma crise política», considerou o primeiro-ministro, durante uma entrevista à SIC.

Na entrevista, José Sócrates garantiu ainda que voltará a recandidatar-se ao cargo de primeiro-ministro caso haja eleições legislativas antecipadas, recusando virar «a cara à luta».

Até agora, e apesar de ter já tido duas intervenções públicas esta semana, o Presidente da República nunca respondeu às perguntas da comunicação social sobre a possibilidade de uma crise política.
Redação / PP