Reconhecendo que as atuais sondagens dão um cenário negro para a direita portuguesa (cerca de dois terços do Parlamento a sentar-se à esquerda), a presidente do CDS recorreu a José Sócrates para referir um eventual cenário de maioria absoluta do PS. Para Assunção Cristas, essa legislatura não foi de boa memória, referindo que "o CDS está a combater uma maioria de esquerda". A líder centrista falou à TVI no programa "Tenho uma Pergunta Para Si", que decorre durante as próximas duas semanas com os principais líderes políticos portugueses.

É preciso votar no CDS porque é uma incógnita como o Parlamento vai ficar", afirmou.

Assunção Cristas, afirmou que, apesar do crescimento económico, Portugal devia ambicionar crescer mais, mesmo tendo em conta uma eventual recessão. Sublinhando novamente a redução dos impostos, a líder centrista fez uma referência a José Sócrates quando falou na eventualidade de uma maioria absoluta do Partido Socialista.

Devemos ter a ambição de crescer a 4 e a 5 %, não temos de ser sempre pequeninos", referiu.

Relativamente aos objetivos do partido, Assunção Cristas recusou-se a comentar as sondagens e eventuais resultados, afirmando apenas que quer um caminho de centro direita e que "desde 2015, esse caminho faz-se com uma maioria no Parlamento".

Em nova referência ao governo de José Sócrates, a antiga ministra da Agricultura queixou-se da herança que o seu executivo herdou, relembrando um tempo em que Portugal estava sob a vigência da Troika.

No meu governo estávamos numa bancarrota socialista", sublinhou.

Apesar de ter como prioridade a redução dos impostos, a presidente do CDS foi relembrada pelos comentadores da TVI Constança Cunha e Sá e Pedro Santos Guerreiro que o seu governo tinha uma carga fiscal mais elevada que o atual, algo que Assunção Cristas defendeu que foi uma segunda escolha e uma imposição do Tribunal Constitucional. Apesar de reconhecer as contas equilibradas desta legislatura, a candidata às legislativas aponta o atual quadro de impostos como "a maior carga fiscal de sempre".

Estado retirou mais dinheiro às pessoas e às empresas", reiterou a centrista.

Em termos de administração pública, Assunção Cristas voltou a referir que é necessário reformar a administração pública para transformar o cenário macroeconómico e poder crescer como outros países da União Europeia, referindo o exemplo da Irlanda. Apesar de ter questionado muito a questão das 35 horas na função pública, a líder do CDS referiu que, por questões orçamentais, não pretende mexer na medida. Entre outras medidas, referiu que o CDS pretende alargar a licença de paternidade para um ano.

Quando perguntada sobre uma eventual coligação à direita, que incluiria PSD, Aliança, Iniciativa Liberal e Basta, Assunção Cristas foi taxativa: "O Basta está a mais", demarcando-se do partido de André Ventura.

Em relação ao despacho da igualdade de género, a política afirma que o CDS "não se revê no despacho", acrescentando que o documento "cria um ruído brutal nas escolas" e que o objetivo do CDS é que as crianças tenham uma vida tranquila.