A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, considerou esta quinta-feira que a ministra da Saúde tem demonstrado “incapacidade para governar a sua pasta”, referindo-se ao diferendo com os enfermeiros.

Confrontada com a possibilidade avançada pela ministra da Saúde, Marta Temido, de recorrer aos tribunais para travar a greve dos enfermeiros, Assunção Cristas disse esperar que o “Governo seja capaz de resolver esta questão”.

À margem de um encontro com os jovens da Escola Secundária Domingos Sequeira, em Leiria, a líder do CDS-PP salientou que os utentes querem que seja “restabelecida a tranquilidade e a normalidade nos serviços”.

A senhora ministra tem demonstrado absoluta incapacidade para governar a sua pasta”, frisou.

Para Assunção Cristas, a greve cirúrgica retomada pelos enfermeiros é uma “grande preocupação”, sendo uma forma evidente de que “o governo continua incapaz de resolver o relacionamento com os enfermeiros”.

Isso é um sinal apenas dos inúmeros problemas que há na área da saúde, onde se sente uma degradação a olhos vistos, onde há um caos total. Ainda esta semana houve mais notícias de demissões - diretora das Urgências na Guarda. Portanto, esta questão [enfermeiros] é uma no meio de tantas outras que mostram a absoluta incompetência e incapacidade do governo de tratar desta área da saúde. Mudou de ministro, não mudou de política. É um problema do Governo, não é um problema da pasta”, acrescentou.

Sobre o pedido de desculpas que o primeiro-ministro António Costa exigiu por considerar que foi insultado quando no último debate quinzenal a líder do CDS lhe perguntou se ele condena ou não os atos de vandalismo na região de Lisboa, Assunção Cristas afirmou que não tem nada a acrescentar a esse episódio. “Está absolutamente encerrado.”

Na conversa com os jovens, Assunção Cristas foi questionada sobre a descida de Portugal no índice da transparência e corrupção e assumiu que o país “está pior na fotografia da corrupção”.

No entanto, contrariou o senso comum que diz que “ninguém vai preso”.

“Temos em Portugal processos judiciais a correr como não existiam e já houve quem cumprisse penas [crime de corrupção e colarinho branco] e já esteja de novo no ativo.”

Considerando a corrupção um “flagelo social”, a líder do CDS-PP destacou a importância dos recursos humanos no combate à corrupção. “Fico preocupada quando falo com a Polícia Judiciária e com os atores da área da justiça e me dizem que não têm inspetores suficientes. É preciso ter peritos especialistas nas áreas das novas tecnologias e da contabilidade. Mesmo que tenhamos legislação, se não tivermos recursos humanos que possam trabalhar e investigar para encontrar os criminosos e levá-los à justiça, o Estado de Direito está em causa”, rematou.