A presidente do CDS, Assunção Cristas, usou esta quinta-feira uma plateia de empresários do turismo para combater uma maioria absoluta do PS nas legislativas, pedindo que "reflitam um bocadinho mais".

Num almoço organizado pela Confederação do Turismo de Portugal, em Lisboa, Assunção Cristas contou que fala com empresários e que já lhes ouviu frases como, “mais vale que o PS ganhe sozinho do que mal acompanhado” pelos partidos de esquerda.

Para Cristas, esse é “um erro grande”, porque “um PS sozinho é um PS reforçado que pode sempre somar com o BE, PCP ou até com o PAN, que é bastante de esquerda, como se viu nesta campanha”.

E para “quem acha” que “é um mal menor” ter o PS a governar sozinho, a presidente dos centristas pediu que “reflitam um bocadinho mais”, dando depois vários exemplos.

Nem é preciso fazer uma revisão constitucional, alertou, para a qual são necessários dois terços dos deputados no parlamento, porque a esquerda, em maioria, pode alterar leis importantes.

Basta rever a lei de bases da saúde para acabar com os privados na saúde, que fazem uma boa gestão”, afirmou, dando ainda o exemplo da educação, com a possibilidade de acabar “com a colaboração do setor privado e do setor cooperativo”, ou ainda para a reversão de concessões nos transportes.

Algumas decisões, como reversões, sustentou, foram decididas por ministros e governantes do PS e não pelos seus aliados à esquerda, e criaram problemas de reputação ao país “a nível internacional”.

Nestes quatro anos, vimos que isto tudo aconteceu pela mão do PS”, advertiu.

Um “país inclinado à esquerda, não é bom para ninguém, vai-nos levar a empobrecer alegremente”, disse, para dizer que é importante Portugal ter “uma visão de centro e direita” e insistiu no apelo ao voto no CDS em 6 de outubro: “Não faz sentido desperdiçar nenhum voto do espaço do centro e da direita.”

Parte do discurso de Cristas foi passado a explicar as propostas eleitorais do CDS para a área económica, mas também a dar argumentos contra uma eventual maioria do PS ou ainda a garantir uma disputa com a esquerda em vários círculos eleitorais.

Em muitos círculos eleitorais nós estamos a disputar deputados com a esquerda”, afirmou, dando como exemplos os distritos de Setúbal e Santarém.

E desdramatizou, com estes argumentos, a disputa à direita com novos partidos como o Aliança e Iniciativa Liberal.

A exemplo do que aconteceu noutro almoço, em julho, na associação comercial portuguesa, Assunção Cristas foi de novo questionada por um empresário por que PSD e CDS não se entenderam numa coligação pré-eleitoral, para lhes dar mais “músculo eleitoral”.

A explicação seguiu o raciocínio de julho, exceto a falta de sinais da parte do PSD de Rui Rio para um entendimento, e lembrou que, no passado, os dois partidos entenderam-se no Governo, mesmo disputando separados as legislativas, como aconteceu em 2011.

Podia favorecer? Talvez, mas não é um impedimento”, resumiu, num almoço em que admitiu que, se voltar ao Governo, poderá criar um ministério do Turismo, a exemplo do que aconteceu no passado.